Mel DOP não é apenas um rótulo: é a assinatura de um território, de um design de produção que combina solo, clima e baixo impacto humano. Em Roma, durante o encontro “Alleanza per le Api” promovido pela Fai – Federazione apicoltori italiana e pela Fondazione Qualivita, em colaboração com a McDonald’s, Mario Burlon, do Consorzio di tutela Miele delle Dolomiti Bellunesi DOP, reforçou esse argumento com autoridade técnica e clareza estratégica.
Burlon destacou que o mel certificado DOP é gerado em um contexto geográfico bem definido, no coração do Parco Nazionale delle Dolomiti Bellunesi. Ali, a presença de poucos centros industriais e a elevada integridade ambiental funcionam como um filtro natural que contribui para um produto naturalmente biológico. Em termos de política de cadeia, essa condição territorial representa uma vantagem competitiva: é como afinar o motor da economia local para entregar um produto premium com baixa necessidade de intervenções corretivas.
O encontro “Alleanza per le Api” reuniu atores da apicultura, autoridades e representantes de cadeias alimentares com o objetivo de articular ações de defesa e valorização da apicultura italiana. A iniciativa evidencia dois vetores estratégicos: a proteção das abelhas como pilar da biodiversidade e a robustez das filieras de mel como componente essencial da segurança alimentar e de marca. A participação de uma multinacional do setor de alimentação e do ministério da Agricultura conferiu ao debate um nível de interlocução raro, comparável à calibração fina que um engenheiro faz antes de entregas críticas.
Do ponto de vista do Consorzio, o argumento é pragmático e voltado ao mercado. A certificação DOP, quando apoiada por um contexto territorial com baixíssima pressão industrial, reduz custos de conformidade e agrega valor de origem — elementos que permitem ao produtor acelerar a penetração em segmentos de alta renda, tanto domésticos quanto internacionais. Em linguagem de gestão, trata-se de transformar uma vantagem geográfica em diferencial competitivo, sem perder a autenticidade do produto.
Além da promoção da certificação e do reconhecimento do território, as discussões em torno da aliança também apontaram para a necessidade de políticas de proteção mais calibradas: desde práticas agrícolas compatíveis com a sobrevivência das abelhas até incentivos para a manutenção de pastagens florais e corredores ecológicos. São medidas que agem como sistemas de freios e suspensão para o ecossistema produtivo, garantindo resiliência a choques climáticos e pressões antropogênicas.
Em suma, a mensagem de Mario Burlon e do Consorzio de tutela é clara e estratégica: o mel das Dolomiti Bellunesi DOP não é apenas um produto de nicho; é um ativo territorial cujo valor deriva de uma combinação de integridade ambiental e governança de cadeia. Para investidores e operadores do setor, esse é um chamado para olhar a apicultura com a mesma precisão com que se avalia um projeto de engenharia de alta performance — porque, no final, qualidade e origem são os eixos que aceleram a valorização no mercado.






















