Por Stella Ferrari — Em Roma, durante o encontro ‘Alleanza per le Api’, organizado pela Fai (Federazione Apicoltori Italiana) e pela Fondazione Qualivita, com a colaboração da McDonald’s, Giuseppe Lucano, diretor de marketing do Consorzio di tutela del Miele della Lunigiana Dop, destacou um ponto central para a sustentabilidade e valorização do setor apícola: a necessidade de reconhecimento e rastreabilidade do miele biológico italiano.
Lucano observou que o miele biológico italiano deve ser percebido pelo mercado como uma nicho estratégico. Com a expansão do varejo moderno e da grande distribuição, a oferta se amplia rapidamente e, por questões de escala, frequentemente incorpora méis importados. “Em muitos casos, infelizmente, trata-se de produtos de procedência duvidosa”, alertou, defendendo uma rastreabilidade clara que permita ao consumidor identificar origem, práticas e qualidade.
Na avaliação do diretor do Consórcio, as certificações DOP e IGP representam a resposta mais objetiva e técnica para essa demanda: elas funcionam como um sistema de garantia que conecta território, método produtivo e cadeia de comercialização. Em termos de política pública e desenho setorial, é uma questão de calibragem: sem um selo confiável, os freios fiscais e regulatórios não seguram práticas comerciais graves, e o motor da economia do mel corre o risco de perder performance.
Do ponto de vista de mercado, a presença de selos como DOP e IGP agrega valor e protege o consumidor enquanto ele busca produtos com identidade e rastreabilidade. Para produtores e consórcios, essas certificações funcionam como um projeto de engenharia de reputação: design de políticas públicas e padrões privados que permitem expansão com qualidade. Lucano salientou ainda o papel dos consórcios e das associações — como a Fai e a Fondazione Qualivita — na construção desses padrões e na comunicação ao varejo e ao público final.
O encontro em Roma reforçou a importância de alianças estratégicas entre setor produtivo, organizações de tutela e grandes operadores de mercado. Em um ambiente de competição crescente por preço e volume, a diferenciação por qualidade certificada é a forma mais eficaz de garantir que o consumidor pague por atributos reais, e não por rótulos vazios. A adoção robusta de DOP e IGP pode ser entendida como a calibragem fina necessária para manter a confiança do mercado e a sustentabilidade da cadeia apícola.
Como economista, vejo esse tema como uma questão de arquitetura institucional: sem instrumentos claros de rastreabilidade, a informação assimétrica domina o mercado e desincentiva investimentos de alta performance no campo. A preservação de nichos de excelência — como o miele biológico italiano da Lunigiana — exige uma combinação de certificação, fiscalização e comunicação dirigida ao consumidor de valor, capaz de reconhecer a diferença entre preço e qualidade.
Em suma, a mensagem de Lucano é inequívoca: para que o miele biológico italiano prospere de forma sustentável e ganhe o espaço que merece no portfólio do varejo e do mercado internacional, é imprescindível que DOP e IGP sejam utilizados como ferramentas de rastreabilidade e garantia. Sem essa engenharia de confiança, corremos o risco de perder um ativo territorial e económico de alto valor.




















