Assinado na ARAN o novo contrato da área de direção da Saúde 2022-2024, que prevê reajustes salariais para os profissionais do Serviço Nacional de Saúde, com impactos diretos nos vencimentos já a partir de março de 2026. A assinatura final não contou com a adesão da CGIL; permanecem fora apenas as posições daquele sindicato, enquanto as demais organizações aceitaram o acordo.
O acordo abrange 137 mil dirigentes do sistema público de saúde — dos quais cerca de 120 mil são médicos e 17 mil dirigentes sanitários não médicos — e foi formalizado pela agência de representação negocial das administrações públicas. A dotação prevista, de €1,2 bilhões, determina um incremento médio de 7,27% na massa salarial, traduzido em um aumento aproximado de €491 mensais por 13 mensalidades, parte deste acréscimo já visível nas folhas de pagamento de março.
Em minhas leituras de mercado, vejo essa movimentação como uma recalibragem do motor remuneratório do sistema de saúde: a maior remuneração fixa de posição, que para os dirigentes recém-assumidos aponta para um crescimento de 55%, funciona como uma peça de engenharia para atrair talentos jovens e estabilizar a força de trabalho. Além disso, foram incrementadas a indenidade de direção de estruturas complexas e as indenidades de especificidade para perfis médico-veterinários e sanitários.
O presidente da ARAN, Antonio Naddeo, sublinha que com a assinatura se encerra o trienio 2022-2024, garantindo aumentos econômicos relevantes aos profissionais do SSN. O comitê de diretrizes das Regioni aprovou as orientações tanto para o compartimento quanto para a direção sanitária; após o aval do Ministério da Economia e Finanças (MEF) serão formalmente iniciadas as negociações para os CCNL 2025-2027. O ministro para a Administração Pública, Paolo Zangrillo, reafirmou o compromisso de assegurar continuidade e regularidade nos renovações contratuais.
Do ponto de vista normativo e de proteção laboral, o texto traz inovações significativas: prevê-se a possibilidade de recomposição do vínculo de trabalho no prazo de até cinco anos desde a cessação com uma das empresas de origem, medidas para favorecer o gozo efetivo das férias inclusive no período de pré-aviso, e uma proteção específica para o pessoal vítima de agressões. Neste último ponto, a empregadora assume o patrocínio jurídico e garante suporte psicológico a pedido, fortalecendo a rede de segurança para profissionais expostos a riscos no exercício da atividade.
Do ponto de vista estratégico, o acordo representa uma aceleração calibrada: injeta recursos substanciais na folha, ajusta componentes fixas e variáveis da remuneração e introduz salvaguardas laborais que podem reduzir atritos e litígios. Para os gestores e conselhos de administração do setor saúde, a leitura prática é clara — é hora de aproveitar a maior atratividade salarial para repensar estruturas organizativas e planos de carreira, sincronizando políticas de talento com a nova configuração remuneratória.
Resta a discordância formal da CGIL, que optou por não subscrever o documento. A ausência desse sindicato mantém uma nota de tensão no panorama negocial, porém o acordo segue em vigor para os demais sindicatos subscritores e para o conjunto dos profissionais abrangidos.
Como economista que observa a dinâmica de políticas públicas e mercado de trabalho, interpreto esta assinatura como uma calibragem técnica do sistema: mais músculo salarial onde o desempenho clínico é crítico, mecanismos de atração para jovens profissionais e proteções legais que fortalecem a resiliência do corpo clínico frente a riscos ocupacionais.






















