O recepimento da diretiva europeia RED III (2023/2413) pelo governo italiano marca uma mudança estratégica na política energética do país, segundo declaração de Alberto Dossi, presidente da H2IT. Para Dossi, a incorporação das metas comunitárias dá ao país uma orientação clara para acelerar a adoção de vetores energéticos limpos e estruturar uma nova política industrial.
“Com o recepimento da RED III, o nosso País redesenha a sua estratégia de descarbonização, imprimindo um direcionamento estratégico à implementação de vetores energéticos limpos sobre os quais será possível construir uma nova política industrial”, afirmou Dossi. Ele ressalta que a norma alinha a Itália com as indicações europeias e atribui ao hidrogênio renovável um papel relevante, reconhecendo um ecossistema já pronto e definindo objetivos claros que servirão de base para investimentos.
Segundo Dossi, a adoção da diretiva oferece duas certezas essenciais ao setor: uma segurança regulatória para os operadores e a proteção dos investimentos já em curso, incluindo aqueles financiados pelo PNRR (Plano Nacional de Recuperação e Resiliência). “Para o setor, o recepimento do RED III representa um resultado de grande valor: dá aos operadores uma certeza regulatória e tutela os investimentos já iniciados, inclusive os do PNRR”, acrescentou.
O presidente da H2IT também sublinhou que o resultado reforça a robustez da Itália em seu percurso de transição ecológica e transforma o hidrogênio renovável em instrumento de aumento da competitividade das empresas italianas. Dossi destacou o papel do diálogo entre indústria e governo como fator decisivo para a concreção dessas medidas.
“Tudo isso foi possível graças a um atento diálogo entre as indústrias e o Governo, que acolheu as solicitações da cadeia de valor e deu concretude aos compromissos assumidos em Itália e na Europa”, frisou. O dirigente agradeceu, em especial, o trabalho dos ministros Foti e Pichetto Fratin pelo empenho contínuo em favor do setor, lembrando que essa convergência ajudará a Itália a cumprir as metas de descarbonização e a fortalecer sua independência energética.
Como economista que acompanha a evolução das tecnologias de energia, avalio que a recepção da RED III atua como um verdadeiro motor na calibragem das políticas industriais: ela reduz incertezas e melhora o perfil de risco dos projetos, acelerando a chegada de capitais privados. Em termos práticos, trata-se de uma «calibragem fina» nas condições de investimento que permite ao setor mirar maior escala e maturidade.
No cenário macro, o reconhecimento do hidrogênio como vetor estratégico é uma peça-chave para a independência energética e para a competitividade industrial — uma espécie de engenharia de ponta aplicada à política energética. A continuidade do diálogo público-privado e a manutenção de incentivos coerentes serão os freios e as alavancas que decidirão a velocidade dessa transição.






















