Rimini, 16 de fevereiro de 2026 — No palco da Fiera di Rimini, durante o International Horeca Meeting, a Federação Italiana dos Distribuidores Ho.Re.Ca., Italgrob, promoveu o debate “Mercado dos consumos fora de casa entre custo de vida e inflação. Tendências e best practice para superar a crise”. O evento reuniu operadores, instituições e representantes políticos para uma leitura estratégica do setor.
Os números apresentados pelo Centro Studi Italgrob, com base em dados do instituto de pesquisa Circana, confirmam a dimensão macroeconômica e social do segmento: o mercado Ho.Re.Ca. registra mais de 100 bilhões de euros de faturamento e conta com 382.000 pontos de consumo — restaurantes, bares, pizzarias e hotéis — que sustentam pelo menos 1,5 milhão de empregos, dos quais 55% ocupados por mulheres. Trata-se de um ecossistema que, além de gerar renda, é vetor cultural do italiano lifestyle e do rito da refeição.
Apesar da robustez do setor, a análise aponta fragilidades operacionais. O tráfego de clientes nos estabelecimentos em 2025 recuou -0,8% em relação a 2024; o crescimento em valor (+3%) é explicado quase inteiramente por aumentos de preço, praticamente o dobro da inflação média nacional projetada pelo ISTAT para 2025 (1,5%). Em linguagem de engenharia econômica, há uma clara diferença entre a aceleração de preços e a potência real da demanda — o motor da economia do consumo fora do lar está rodando com menos giros.
O fenômeno não é isolado: o recuo de frequência acompanha uma tendência europeia. Em mercados como Itália, França, Alemanha, Espanha e Reino Unido, a despesa agregada sobe para 309 bilhões de euros, mas as visitas caem cerca de 10% em comparação ao período pré-pandemia. O comportamento dos consumidores mostra um evidente processo de trading down: redução no número de produtos comprados (-0,7%), migração para segmentos mais econômicos (-1,1%) e foco no equilíbrio entre qualidade e preço.
Nem tudo, porém, é constrição. Observa-se uma forte expansão do delivery, especialmente de produtos portáteis como pizza e sushi, com aumentos de até +12%. O dining in também registra ganho estrutural, passando de 9,4% para 15,6% em nove anos, e a restauração em cadeia se beneficia de formatos com proposição mais centrada em qualidade-preço, atraindo novos consumidores, inclusive da geração Z. Essas dinâmicas lembram a calibragem fina de um motor de alto desempenho: ajustes precisos de oferta podem recuperar torque e eficiência.
O universo do beverage mostra contradições: no período recente, o consumo de água da torneira cresce +5%, enquanto as bebidas alcoólicas registram uma queda de -7%. Em contrapartida, há uma aceleração nos produtos low e no alcohol (+13% nos últimos 12 meses), tendência positiva, mas que ainda representa uma fatia limitada frente à redução das bebidas alcoólicas tradicionais.
Do ponto de vista estratégico e de políticas públicas, é urgente combinar mecanismos de suporte com iniciativas privadas de inovação. Políticas fiscais bem desenhadas — evitando freios fiscais excessivos —, calibragem de juros que favoreça investimento produtivo e incentivos ao upgrade qualitativo das ofertas podem transformar a atual crise em oportunidade de reposicionamento. Como economista e estrategista, vejo nesse momento a chance de redesenhar o mapa competitivo do Ho.Re.Ca., alinhando rentabilidade e sustentabilidade.
Em conclusão, o encontro em Rimini reafirma que o setor possui escala e relevância cultural, mas demanda ações coordenadas para recuperar tráfego, valorizar a experiência do consumidor e modular ofertas diante da nova geografia de consumo. É hora de afinar a engenharia das operações e acelerar tendências que sustentem crescimento de longo prazo.





















