Por Stella Ferrari — Em intervenção incisiva no International Ho.Re.Ca. Meeting, realizado em Rimini, Antonio Portaccio, presidente da Italgrob, reafirmou o papel estratégico do setor fora do lar como um verdadeiro motor da economia nacional. Com voz firme e precisão analítica, Portaccio destacou que o segmento não apenas gera emprego, mas presta serviços essenciais e funciona como um ponto de coesão social e presença territorial.
Segundo o presidente, o mercado atravessa uma fase de estagnação estrutural: a frequência aos estabelecimentos registra queda, enquanto o volume de negócios mostra crescimento. O chamado diagnóstico é claro e técnico — a combinação de crise, inflazione (inflação) e costo della vita (aumento do custo de vida) atua como um freio simultâneo e desigual sobre a dinâmica de consumo. É como se a aceleração de receita ocorresse em marcha lenta, exigindo uma calibragem fina das políticas públicas.
Na minha leitura, com a experiência de quem vê macro tendências e micro decisões como componentes de um mesmo projeto de alta performance, a mensagem de Portaccio é dupla: por um lado, a indústria está disponível para diálogo técnico sobre instrumentos fiscais e regulatórios capazes de aliviar o peso sobre as pequenas e médias empresas; por outro, é urgente promover investimentos em sostenibilità e digitalização, além de reduzir a burocracia que atua como atrito entre iniciativa privada e crescimento.
O ponto mais contundente do discurso foi a proposta prática: a criação, junto ao Ministério das Empresas e do Made in Italy, de um albo speciale para os distributori Ho.Re.Ca. — um registro formal que reconheça e proteja o papel destes distribuidores na cadeia de valor. Para Portaccio, esse reconhecimento institucional não é simbólico; é instrumento de governança de mercado, capaz de desbloquear acesso a políticas de incentivo, crédito e formação técnica. Em termos de design de políticas, trata-se de uma intervenção de baixo atrito e alto impacto.
Concluiu o presidente: “Se soubermos valorizar o recurso estratégico que é o fuori casa, não estaremos apenas apoiando um setor: estaremos fortalecendo o País”. A frase sintetiza uma estratégia em que cada elemento — do varejo à distribuição, das políticas fiscais à sustentabilidade — deve funcionar como peças bem ajustadas de um motor: alinhamento técnico, calibragem de incentivos e manutenção institucional.
O posicionamento de Italgrob durante o encontro, incluído no painel “Mercato dei consumi fuori casa fra carovita e inflazione. Tendenze e best practice per andare oltre la crisi”, reforça a urgência de decisões pragmáticas. Para a economia italiana, a aposta é clara: convergir apoio regulatório e estímulos à inovação para transformar o estresse atual em oportunidade estrutural.
Como estrategista, observo que a aplicação prática dessas propostas exigirá coordenação entre ministérios, associações empresariais e operadores locais — uma verdadeira engenharia de políticas que, bem calibrada, pode devolver tração à cadeia Ho.Re.Ca. e impulsionar a recuperação do emprego e da qualidade de vida em centros urbanos e territórios.






















