Por Stella Ferrari – Economista sênior
A mais recente análise da consultoria EY confirma que o Festival de Sanremo segue sendo um propulsor relevante para a economia regional: o impacto econômico estimado para Sanremo 2026 atinge €252,1 milhões, um aumento de 2,9% em relação aos €245,1 milhões reportados no ano anterior. Essa cifra consolida o evento como um dos elementos de maior visibilidade e geração de receitas no calendário cultural italiano.
O crescimento decorre da ligeira elevação nos três blocos que compõem o cálculo: as despesas organizativas subiram de €47,9 milhões para €48,2 milhões; a atividade associada a espectadores e profissionais aumentou de €25 milhões para €28,3 milhões; e, sobretudo, os ganhos provenientes de publicidade e patrocinadores passaram de €172,2 milhões para €175,6 milhões, representando quase 70% do total. Mario Rocco, Head of Valuation, Modelling & Economics da EY, ressalta que o Festival continua a operar como um importante ator da crescimento econômico regional, com efeitos positivos também na imagem do país.
No entanto, o relatório aponta sinais de alerta quando a métrica é a valor agregado e o mercado de trabalho: o valor agregado — entendido como produção menos custos intermediários, análogo ao PIB gerado pelo evento — recuou de €97,9 milhões para €95,9 milhões (-2%). Ainda mais relevante, o número de postos de trabalho equivalentes a tempo cheio (FTE) ativados pelo Festival caiu de 1.459 para 1.310, uma redução de 10,2%.
Apesar disso, a expectativa de consumo por público se mantém robusta: a despesa diária média de um espectador típico estimada pelo estudo permanece em cerca de €500 (excluídos custos de bilhetes e assinaturas), dos quais aproximadamente €300 são gastos apenas com hospedagem na cidade ou em áreas próximas. Essa dinâmica reforça o papel do evento como motor de receitas para a hotelaria e serviços locais.
Entre os fatores positivos destacados pela EY está a projeção de ocupação do Teatro Ariston em 90% — ante 80% no ano anterior —, um indicador que, segundo Rocco, reflete maior atenção dos patrocinadores e crescimento da participação do público, elementos que podem acelerar a consolidação do modelo financeiro do Festival.
No plano institucional e cultural, o diretor Carlo Conti tem motivos para comemorar, inclusive após levar artistas ao Quirinale, algo inédito. Nos bastidores, comentários breves como “Meloni? Viene se compra il biglietto” e a resposta pública de autoridade demonstram como o evento se mistura à agenda política e midiática do país.
Com o ponteiro do cronômetro já apontando para a abertura, a tradicional primeira noite está marcada para terça-feira, 24 de fevereiro, em transmissão ao vivo pela Rai 1. Em termos de política econômica, o Festival segue sendo uma peça com alto torque de imagem e receitas, embora com uma necessidade clara de calibragem para reverter a queda nos empregos gerados — um ajuste fino, como em motor de alta performance, que exigirá atenção dos organizadores e patrocinadores.
© 2026 — Stella Ferrari






















