Por Stella Ferrari — O governo italiano tentou, até o último momento, evitar as paralisações anunciadas no transporte aéreo para os dias 16 de fevereiro e 7 de março, datas que coincidem com as competições dos Giochi Olimpici e Paralimpici Milano-Cortina. Apesar das tentativas de mediação no MIT e do apelo da Commissione di Garanzia para o adiamento, as principais representações sindicais mantiveram a posição e confirmaram os scioperi.
As siglas Filt Cgil, Fit Cisl, Uiltrasporti, Ugl Ta, Anpc e Anp reafirmaram as razões da protesto. Ao final do encontro no MIT, o coordenador nacional da Filt Cgil, Fabrizio Cuscito, declarou que as greves foram validadas porque as empresas do setor não apresentaram condições que permitissem a retirada das mobilizações.
Em resposta, o ministro dos Transportes, Matteo Salvini, anunciou a intenção de proceder à precettazione dos trabalhadores — medida que, na prática, pode obrigar a suspensão do direito de greve por razões de interesse público. A decisão do ministério segue o argumento institucional de proteger a logística e a imagem do país durante um evento internacional de grande visibilidade.
Cuscito observou ainda que gostaria que a mesma intensidade de exigência que o ministro aplica aos trabalhadores em greve fosse empregada contra as empresas que deixam vencer contratos coletivos há mais de um ano — questão apontada pelos sindicatos como um dos motores do conflito. ‘As empresas não apresentaram condições para retirar o sciopero’, afirmou o dirigente sindical, apontando para a ausência de negociações capazes de acelerar a renovação contratual.
Do ponto de vista macroeconômico e de gestão de crise, trata-se de um momento delicado para o motor da economia italiano: o setor aéreo funciona como eixo de conectividade e turismo, com impacto direto sobre receitas, logística e percepção internacional. A calibragem das medidas governamentais — entre proteger os grandes eventos e respeitar direitos laborais — exige precisão parecida com a de uma central de controle automotivo, onde freios mal ajustados podem gerar custos reputacionais e econômicos elevados.
Para observadores de mercado e operadores, as próximas horas serão de leitura atenta das medidas legais que o governo pretende aplicar. A eventual precettazione deverá ser justificada juridicamente para resistir a contestações e para minimizar efeitos adversos sobre a circulação aérea e sobre a imagem do país na véspera e durante os jogos.
Resumo: greves confirmadas nos dias 16/02 e 07/03; sindicatos mantêm protesto após reunião no MIT; Salvini anuncia precettazione; tensão entre exigência governamental e reivindicação sindical sobre contratos não renovados.





















