Por Stella Ferrari — A Commissione di Garanzia sobre greves comunicou ao Ministro das Infraestruturas e dos Transportes o risco concreto de prejuízo à liberdade de circulação em razão das paralisações no transporte aéreo previstas para 16 de fevereiro e 7 de março. Essas datas coincidem com o calendário dos Giochi Olimpici e Paralimpici Milano‑Cortina 2026, tornando-se pontos críticos para a logística do evento.
Na deliberação aprovada ontem, a Autoridade recomendou ao Ministério um reposicionamento das greves para um intervalo menos sensível: entre 24 de fevereiro e 4 de março, período que não interfere nas competições programadas. A proposta busca balancear o exercício do direito de greve com o dever público de garantir o fluxo de pessoas e bens durante a cerimônia e as provas, preservando o funcionamento do “motor da economia” regional e nacional.
O vice‑primeiro‑ministro e ministro das Infraestruturas, Matteo Salvini, apoiou o parecer da Comissão e declarou estar pronto a formalizar o pedido de adiamento junto aos sindicatos, com disponibilidade para convocá‑los ao Ministério posteriormente. Em nota do MIT, Salvini indica que a disposição é conciliar direitos laborais com a necessidade de assegurar transporte regular durante os Jogos, sobretudo considerando o impacto internacional e a visibilidade do evento.
Fevereiro aparece como um mês de alta tensão para os serviços de transporte na Itália. Além das datas já citadas, a janela de maior risco para o transporte aéreo é 16 de fevereiro; para os trens, o dia mais sensível é 28 de fevereiro. As Ferrovie dello Stato anunciaram um movimento de paralisação nacional do pessoal de máquina e de bordo que começa às 21h de sexta‑feira, 27 de fevereiro, e vai até as 20h59 de sábado, 28 de fevereiro. A ação pode provocar transtornos regionais, afetando Frecce e Intercity, com possibilidade de variações nas faixas de garantia de serviço.
Outros protestos já agendados reforçam a complexidade operacional do mês: hoje, 11 de fevereiro, funcionários do Comune de Como fazem greve por 24 horas; em 13 de fevereiro, há risco de perturbações no transporte público local em Bolzano e Termoli; e a 24 de fevereiro os meios urbanos de Udine podem sofrer interrupções entre 15h e 24h.
Como estrategista econômica, observo que a decisão da Comissão é uma calibragem necessária — uma intervenção técnica no desenho de políticas para reduzir atritos entre direitos trabalhistas e obrigações operacionais de um evento com alto potencial de “aceleração de tendências” econômicas. Adiar paralisações em setores críticos é, na prática, ajustar os freios fiscais e logísticos para que o motor do evento funcione com menor risco de pane.
Resta agora a negociação entre governo e sindicatos. A resposta dos representantes dos trabalhadores será determinante para a manutenção do calendário proposto pela Autoridade. Em qualquer hipótese, a prioridade declarada pelas autoridades é preservar a mobilidade e a imagem internacional do país durante os Jogos Milano‑Cortina 2026, garantindo ao mesmo tempo que o direito de greve seja exercido em janela que minimize danos ao público e à economia.




















