Por Stella Ferrari — Em atuação firme sobre o desenho das finanças públicas, o ministro da Economia, Giorgetti, propôs a aplicação da rottamazione também às dívidas tratadas pelos enti locali (municípios e regiões) como instrumento adicional para impulsionar as receitas tributárias. A sugestão foi exposta em evento da Lega no Abruzzo, onde o ministro destacou a necessidade de escoar créditos antigos que comprometem o balanço dos entes locais.
Na essência, a rottamazione quinquies — aprovada na recente manobra orçamentária — autoriza que cada região e cada ente local adote formas de definição facilitada das dívidas, mesmo quando já existam procedimentos de accertamento ou litígios em curso. Segundo nota técnica da Fundação ANCI sobre a manobra 2026, a norma obriga a edição de um ato regulamentar local que determine, dentro de um prazo não inferior a 60 dias, a regularização dos tributos anteriormente total ou parcialmente não quitados, com exclusão de juros e, possivelmente, também de sanções.
Os contornos práticos da medida permitem que os contribuintes adiram até 30 de abril e quitem tributos transformados em cartelle relativas ao período 2000–2023. O parcelamento pode atingir até 54 prestações bimestrais ao longo de 9 anos, com parcela mínima de €100. O principal efeito econômico decorre do abatimento de juros e penalidades: o devedor se compromete a pagar o débito originário acrescido de juros fixos de 3% ao ano.
A avaliação técnica incluída na manobra estima que os encargos fiscais potencialmente enquadráveis alcancem cerca de €13 bilhões, com uma arrecadação projetada em torno de €9 bilhões — um ganho relevante para a liquidez de entes públicos que convivem com um «armazenamento» massivo de créditos reconhecidos e não realizados.
Na intervenção, Giorgetti sublinhou a autonomia municipal: “Os municípios têm a liberdade de decidir se aderem ou não. Eu penso que o espírito da rottamazione vale também para toda a realidade comunal”. O ministro sustenta que a via transativa com os contribuintes pode abrir uma nova temporada de liquidação de créditos antigos e dar maior previsibilidade às contas públicas — analogamente à calibragem fina de um motor que reduz atritos e melhora o rendimento.
O contexto prático explica a ênfase do ministro: IMU, tarifas e outros tributos locais compõem uma fatia significativa dos contenciosos tributários abertos. A experiência da rottamazione quater mostrou, porém, adesões limitadas por parte dos grandes municípios. Nos últimos dias, algumas administrações locais sinalizaram que estão reavaliando a possibilidade de aderir à nova versão da medida.
Por fim, Giorgetti retomou sua mensagem sobre o aperfeiçoamento das contas públicas: a melhoria do rating, explicou, “não se faz com um decreto só, mas trabalhando silenciosamente e construindo benefícios para o futuro”. A imagem que deixa é a de um design de políticas pensado para reduzir os freios fiscais e acelerar tendências de recuperação, sem perda de governança.
Como estrategista de mercado, avalio que a proposta representa uma combinação de pragmatismo fiscal e engenharia política: alinha incentivos para arrecadação imediata com uma solução estrutural para limpar balanços locais. Resta observar a adesão prática dos enti locali e a efetividade da calibragem das regras locais na execução operacional da iniciativa.






















