Por Stella Ferrari — Espresso Italia
O Federal Open Market Committee (FOMC) deixou claro que a Fed não deverá promover cortes nas taxas de juros antes de junho. A leitura da reunião de janeiro revela uma combinação de otimismo renovado sobre o ritmo de crescimento e indicadores de mercado do trabalho que, por ora, sustentam uma abordagem cautelosa na política monetária.
Durante a coletiva, o presidente Jerome Powell ressaltou que “a economia nos surpreendeu mais uma vez pela força”. O dado mais saliente foi a estabilização do desemprego em 4,4%, sinalizando que a demanda por mão de obra permanece resiliente. Esse perfil reduz, temporariamente, a pressão para aliviar a política monetária, mesmo com parte do comitê defendendo ação diferente: houve dissenso de alguns governadores — citados na ata como Wallersi e Mirannel — que apoiaram cortes imediatos.
O FOMC revisou suas projeções e sinalizou que a inflação core (PCE) deve ficar em torno de 3,0% em base anual até o final de 2025. Embora esse número coincida com o observado no ano anterior, a dinâmica é distinta: a persistência inflacionária tem sido impulsionada principalmente por preços de bens, em parte por efeitos one-off relacionados a tarifas e importações. Segundo Powell, esse impulso parece ter alcançado o pico, e uma fase de desinflacionamento é esperada nos meses centrais do ano, enquanto outros componentes exibem tendência de queda.
As expectativas de inflação de curto prazo recuaram — especialmente nos mercados financeiros — ao passo que as expectativas de longo prazo permaneceram próximas a 2%, preservando a credibilidade da Fed como defensora da estabilidade de preços. Para a maioria dos membros, um declínio claro e sustentado da inflação seria o gatilho para reiniciar a trajetória de afrouxamento monetário; até lá, a autoridade monetária prefere observar a evolução do quadro macroeconômico.
No balanço de riscos, o comitê avaliou que tanto os riscos altistas para a inflação quanto os riscos baixistas para o emprego reduziram-se em comparação com dezembro, o que aliviou a tensão entre os dois objetivos. O intervalo atual da taxa básica situa-se dentro das estimativas de neutralidade, embora perto do limite superior, sugerindo que a atual calibragem de juros ainda exerce um papel de freio prudente sobre a economia.
Como estrategista, vejo essa decisão como uma recalibração fina do motor da economia: a Fed mantém os freios fiscais engatados, mas com o pé pronto para ajustar a aceleração caso a trajetória de preços confirme uma queda sustentada. Em termos práticos, investidores e empresas devem seguir atentos a indicadores de atividade e inflação nos próximos meses — são as peças do painel que determinarão a próxima mudança de marcha na política monetária.
Imagem: coletiva de Jerome Powell e gráficos de inflação e emprego sugerem vigilância contínua do comitê.






















