Por Stella Ferrari — Em evento que celebrou os 60 anos do minestrone da marca, Renato Roca, country manager da Findus na Itália, reiterou a expectativa de continuidade da trajetória positiva da empresa: “Veniamo da due anni di mercato e di performance positive e di crescita… Siamo quindi fiduciosi di avere un terzo anno di crescita”. Em minhas análises, essa confiança traduz a capacidade de uma empresa de calibrar seu produto e sua cadeia diante de um mercado doméstico desafiador.
Roca destacou que, apesar de um cenário macroeconômico italiano que ainda sinaliza estagnação e complexidade, a categoria de congelados tem acelerado sua conexão com consumidores e shoppers. Em linguagens de engenharia de políticas: quando o motor da economia opera em marcha lenta, a eficiência do produto e a fidelidade do consumidor funcionam como um sistema de transmissão que mantém a velocidade. Para a Findus, essa transmissão tem se mostrado robusta nos últimos dois anos, e a expectativa é manter a aceleração em 2026.
Sobre a origem das matérias‑primas, no contexto dos acordos que a União Europeia estabelece com mercados como Índia e Mercosur, Roca afirmou que a empresa prioriza garantias de qualidade e de suprimento. “Ricerca le verdure che diano le migliori garanzie di qualità e di approvvigionamento“, explicou. Traduzindo para o mercado brasileiro e para gestores de supply chain: a priorização por fornecedores locais reduz volatilidade logística e fortalece a narrativa de proximidade com o consumidor.
Quando possível, segundo Roca, a empresa prefere as verduras italianas. Detalhes operacionais mencionados no evento reforçam essa estratégia: o minestrone da Findus contém 15 vegetais italianos; os espinafres (spinaci) vêm do Agro Pontino — região imediatamente atrás da fábrica — e da Capitanata na Puglia; já os Pisellini Primavera têm cerca de um terço da produção originada nas Marche. Essa escolha não é apenas simbólica: é uma decisão de design de políticas corporativas que reduz riscos de abastecimento e melhora o controle de qualidade.
Em termos estratégicos, a mensagem de Roca é clara para investidores e conselhos de administração: a Findus opera uma combinação de excelência operacional e proximidade com fornecedores locais para sustentar o crescimento em um mercado que, por vezes, aciona os freios fiscais e de consumo. A empresa entende que, mesmo em ambiente de demanda contida, é possível expandir participação ao elevar o conteúdo do produto e a relação de confiança com o consumidor.
Do ponto de vista do mercado, observar como marcas de frozen food alinham sourcing local e narrativas de qualidade será crucial para avaliar quem consegue transformar contexto adverso em vantagem competitiva. Para gestores de portfólio, a trajetória anunciada pela Findus para 2026 merece atenção: é um exemplo de como calibrar juros de investimento, cadeia e comunicação para obter terceira temporada consecutiva de crescimento.
Em suma, a posição de Roca reflete uma visão pragmática e tecnicamente sustentada: priorizar verduras italianas sempre que possível, garantir qualidade e resiliência na cadeia, e capitalizar sobre a crescente afinidade dos consumidores com os congelados — tudo isso enquanto a marca celebra seis décadas de um ícone como o minestrone.






















