Por Stella Ferrari — Economista sênior
O Festival de Sanremo gerará um impacto econômico superior a 200 milhões de euros no território, registrando um crescimento de 9,2% em relação aos 184 milhões apurados em 2025. É o que aponta o relatório elaborado pelo escritório de Estatística do Ministério, com base nos dados do Alloggiati Web do Viminale, JFC e Lybratech.
Do ponto de vista da demanda direta, a expansão está ancorada em uma despesa direta de 44 milhões de euros: 25 milhões destinados à cadeia turística e 19 milhões vinculados às atividades locais e ao pessoal organizador. Para a edição em curso, são esperadas cerca de 7.250 chegadas, um aumento de 7,3% em relação à temporada anterior, enquanto os pernoites devem chegar perto de 40 mil, com alta de 14,3%. A permanência média do visitante tende a se estender dos 5,1 dias registrados no ano passado para 5,5 dias previstos.
Além do efeito econômico imediato — o combustível do motor local —, o evento produz uma herança de marca substancial. A maior parcela do impacto total decorre da chamada força comunicativa do Festival: aproximadamente 150 milhões de euros, distribuídos entre 101 milhões oriundos da cobertura midiática global e cerca de 48 milhões atribuíveis à valorização do brand territorial — o prestígio agregado à cidade e às suas empresas pela exposição internacional.
A Ministra do Turismo, Daniela Santanchè, comentou com satisfação: “Números que demonstram como o Festival é uma vitrine constante que promove a Itália no mundo bem além da duração do evento”. Em minha leitura, como estrategista de mercado, este resultado confirma que a combinação entre evento cultural e estratégia de comunicação funciona como uma calibragem fina: não apenas acelera fluxos turísticos, mas reforça a percepção de qualidade do destino — um design de políticas que rende dividendos de longo prazo.
Do ponto de vista empresarial, a tradução prática desse relatório é clara: a economia local recebe um impulso imediato em consumo e serviços, enquanto a exposição internacional atua como investimento de reputação que multiplica retornos ao longo do tempo. Em termos de governança e planejamento, o desafio é transformar esse impulso em projetos estruturantes que sustentem a demanda e elevem o perfil competitivo da região, sem perder a precisão técnica que exige a engenharia de políticas públicas.
Em síntese, o Festival de Sanremo confirma-se como um ativo estratégico — uma máquina de projeção que combina impacto econômico direto e um poderoso efeito reputacional, essenciais para a economia italiana e para a promoção das suas excelências no exterior.






















