Fechamento em ordem dispersa para as bolsas europeias na última sessão de uma semana que, em conjunto, registrou um desempenho positivo moderado. A praça de Milão fechou com recuo de 0,46%, tocando níveis próximos aos mínimos do dia, apesar de consolidar um ganho semanal de cerca de um ponto e meio percentual. Em Paris o índice terminou em vermelho, Francfort praticamente em estabilidade, enquanto Londres avançou cerca de 0,7%.
No centro das atenções em Piazza Affari estiveram os papéis do setor financeiro: MPS e Mediobanca registraram quedas superiores a 6% após a apresentação do plano industrial do novo grupo. O mercado reagiu de forma cética, ponderando que, embora o projeto anuncie metas ambiciosas de crescimento de lucros e dividendos, a integração e a execução exigirão uma calibragem fina — uma verdadeira “calibragem de juros e riscos” num motor financeiro que agora precisa provar sua tração.
Os recuos foram parcialmente compensados por desempenhos positivos em segmentos industriais e de energia. Entre os destaques figuram Prysmian e Buzzi, e sobretudo os petrolíferos: Saipem foi o melhor do principal índice com alta de 2,61%, refletindo o movimento ascendente do mercado de petróleo.
O preço do petróleo avançou quase 3% na sessão, impulsionado por novas tensões no Irã, com o Brent novamente caminhando para a faixa dos 73 dólares por barril. Esse impulso do mercado de energia atua como um acelerador setorial, beneficiando nomes ligados à exploração e serviços petrolíferos, mas também reacende preocupações sobre pressões inflacionárias e possíveis impactos na margem das políticas monetárias — freios ou afrouxamentos dependendo da resposta dos bancos centrais.
O pano de fundo transatlântico foi mais tênue: Wall Street fechou em baixa, com o Nasdaq particularmente pressionado. A ação da Nvidia voltou a cair depois dos resultados, que, embora positivos, não foram suficientes para dissipar dúvidas dos analistas sobre as perspectivas de retorno e ritmo de adoção das aplicações de IA. Em termos práticos, os investidores seguem testando a robustez do ciclo tecnológico num ambiente de expectativas elevadas.
No campo dos títulos públicos, o Tesouro italiano anunciou as condições do novo BTP Valore, que entrará em colocação a partir de segunda-feira. Trata-se de um título com prazo de seis anos e um mecanismo de double step-up: rendimento de 2,5% nos primeiros dois anos, 2,8% no período seguinte de dois anos e 3,5% nos últimos dois anos. Foi também confirmado um prêmio de fidelidade de 0,8% para investidores que mantiverem o papel até o vencimento — instrumento concebido para ancorar poupanças e oferecer previsibilidade ao investidor doméstico.
Como estrategista, enxergo este fechamento como um ajuste fino do mercado: oscilações setoriais empurradas por geopolítica e resultados corporativos, enquanto instrumentos de renda fixa oferecem um ponto de referência para a próxima fase. Em termos de desenho de políticas e decisões de carteira, a lição é clara: gerenciar riscos de execução em consolidações bancárias e monitorar a aceleração do preço do petróleo, que pode alterar a dinâmica inflacionária e a resposta dos bancos centrais.





















