Última sessão da semana que se desenha positiva para as principais praças financeiras europeias. O motor do mercado foi a combinação de indicadores econômicos regionais e resultados corporativos que surpreenderam positivamente: o índice PMI da Zona Euro em fevereiro atingiu os máximos dos últimos três meses, imprimindo um tom de confiança sobre a trajetória de crescimento.
No parqué, Milão liderou os ganhos, com avanço superior a um ponto percentual. Também fecharam em território positivo Londres, Frankfurt e Paris. A rotação para nomes com resultados sólidos foi nítida: Moncler disparou mais de 11% e Unipol subiu acima de 6% após publicação de balanços e guidance que superaram expectativas do mercado. Em contrapartida, Tenaris figurou entre os maiores declínios do índice italiano, depois do rebaixamento do target price promovido pelo banco Goldman Sachs.
Do lado das commodities, as tensões geopolíticas entre Estados Unidos e Irã atuaram como um freio na tranquilidade: o preço do petróleo voltou a subir e o Brent superou a barreira dos 70 dólares por barril, acumulando alta de mais de 5% na semana. Essa elevação do preço do petróleo atua sobre a inflação importada e sobre as margens de empresas intensivas em energia — um detalhe que exige atenção dos gestores e dos formuladores na calibragem de políticas.
Entretanto, a agenda externa trouxe ruídos. Poucos minutos antes da abertura dos mercados americanos, os futuros sinalizavam desempenho negativo, pressionados por leituras decepcionantes dos dados de PIB e inflação nos EUA. Esses dados fragilizam expectativas de aceleração do consumo doméstico norte-americano e podem reativar discussões sobre a trajetória de juros do Federal Reserve, reduzindo o apetite por risco no curto prazo.
Do ponto de vista estratégico, vemos a atual sequência como uma recalibração fina do mercado — menos um choque e mais um ajuste de suspensão: há sinais de aceleração pontual na Europa, enquanto choques externos e de preço do petróleo funcionam como freios fiscais e monetários potenciais. A performance de papéis ligados ao consumo de luxo e seguros confirma que o investidor está seletivo, privilegiando qualidade de balanço e previsibilidade de fluxo de caixa.
Para investidores institucionais e family offices, a lição é clara: manter portfólios com exposição diversificada às zonas de crescimento, hedge adequado contra commodities e foco em empresas com capacidade de repassar custos ou com vantagem competitiva estrutural. Em linguagem automobilística, o mercado opera agora com aceleração por setores e freios seletivos por riscos externos — uma gestão de tração onde a calibragem de juros e os vetores geopolíticos definem a aderência.
Assino com a experiência de quem acompanha esses circuitos de capital: Stella Ferrari, estrategista de economia e desenvolvimento da Espresso Italia.






















