Europa e Ásia em alta, Wall Street freia após dados de emprego
Assinatura: Stella Ferrari — Economia e Desenvolvimento
As bolsas europeias abriram o dia em terreno positivo, com a praça de Milão registrando ganhos próximos de 0,8%. Enquanto isso, Londres mostrou uma trajetória mais cautelosa, e Paris e Frankfurt avançaram acima de um ponto percentual, sinalizando uma aceleração seletiva nos principais índices do continente. A leitura do pregão europeu sugere uma calibragem favorável do apetite por risco, com um desenho de políticas e fluxo de capital mais frouxo em setores-chave.
No front asiático, a sessão foi majoritariamente positiva: destaque para Seul, onde o índice Kospi fechou em alta superior a três pontos percentuais, atingindo novos máximos históricos durante o pregão. O movimento foi impulsionado sobretudo pelos ganhos robustos dos produtores de chips, que atuaram como motor de crescimento setorial, traduzindo-se em forte formação de valor no mercado.
Também no Japão, o Nikkei ultrapassou pela primeira vez, em pregão, a marca de 58 mil pontos, outro indicador de momento favorável para ativos asiáticos e de confiança na dinâmica corporativa local. Esses avanços in loco confirmam uma aceleração de tendências tecnológicas e industriais que vêm puxando a região para cima.
Contrariamente, a Wall Street fechou em ligeiro recuo. O Dow Jones cedeu 0,13% no fechamento, e o Nasdaq encerrou a sessão em –0,16%. O motivo central foi a divulgação de dados de emprego nos Estados Unidos acima das expectativas: embora esses números amenizem temores sobre a trajetória econômica — ao reduzir o risco imediato de recessão —, eles também afastam a hipótese de novos cortes de juros por parte da Federal Reserve, atuando como freios fiscais sobre ativos de maior risco.
No mercado de commodities, o preço do petróleo Brent manteve pressão negativa devido às persistentes tensões geopolíticas entre Estados Unidos e Irã. O Brent voltou a ficar pouco abaixo da referência de US$70 por barril, após ter se aproximado ontem dos patamares máximos observados no final de janeiro. Esse comportamento evidencia a sensibilidade dos preços às variáveis geopolíticas e à necessidade de vigilância por parte de investidores e planejadores.
Em termos de estratégia, a sessão Ilustra a importância de operar com visão de engenharia: calibrar posições como se ajustasse a marcha de um motor, buscando aceleração onde há tração (como semicondutores na Ásia) e aplicando freios quando o ruído macroeconômico reduz a previsibilidade (como a resposta da Fed a dados de emprego). Para gestores de portfólio de alta performance, a recomendação é reforçar exposição a setores com sinal claro de crescimento e manter hedge tático contra choques de commodities e riscos geopolíticos.
Em suma, o dia foi de rotas divergentes: Europa e Ásia mostraram força, com avanços significativos em praças selecionadas, enquanto Wall Street moderou ganhos após leituras de emprego que impactam a expectativa sobre juros. O mercado segue com o motor da economia em aceleração moderada, porém sujeito a ajustes rápidos na presença de choques externos.
Stella Ferrari é economista sênior e estrategista de mercado na Espresso Italia.






















