Por Stella Ferrari — Um novo relatório do Global Energy Monitor revela que o ritmo de expansão dos projetos eólicos e solares planejados ou em construção ao redor do mundo sofreu uma desaceleração em 2025. Esse enfraquecimento levanta dúvidas sobre a viabilidade de se triplicar a capacidade de energia renovável até 2030, objetivo assumido por dezenas de países em 2023.
Segundo o estudo, os anúncios e o início de novos projetos de eólica e solar cresceram apenas 11% em 2025, contra 22% no ano anterior. Diren Kocakusak, pesquisador do Gem, aponta que desenvolvedores de parques eólicos enfrentaram uma combinação de freios regulatórios e reveses nas licitações nos países ricos. Nos Estados Unidos, por exemplo, o bloqueio de projetos eólicos pelo presidente Donald Trump e sua postura contrária às energias renováveis contribuíram para o arrefecimento — embora o recuo seja claramente multifatorial e não atribuível a um único país.
O relatório destaca que o centro de gravidade da expansão está migrando para economias emergentes e em desenvolvimento. A China foi responsável por cerca de um terço do crescimento global de capacidade solar e eólica em 2025, adicionando aproximadamente 1,5 terawatt — uma cifra que supera a soma do crescimento dos seis países na sequência.
No entanto, esse padrão concentrado de progresso é insuficiente para garantir a trajetória necessária até 2030. O Gem estima que quase 40% dos projetos planejados estão com início atrasado, suspensos ou abandonados. Existem, ainda, mais de 3,5 terawatts de projetos anunciados sem data de início confirmada — potencial que poderia ser aproveitado caso fosse ativado com rapidez e coordenação.
Alguns sinais políticos seguem mistos: o Japão revisa diretrizes para leilões de eólica, o Reino Unido busca incentivar investimentos no setor, mas notícias sobre uma possível redução da prioridade das renováveis na rede alemã ilustram os desafios de implementação. “O ritmo parece desacelerar, mas isso não é devido a falta de potencial”, afirma Kocakusak, lembrando que ainda há tempo para recuperar terreno.
Como estrategista econômica, vejo esse cenário como uma questão de calibragem de políticas e desenho institucional: o motor da transformação energética pode retomar aceleração se houver clareza regulatória, incentivos bem calibrados e redução dos entraves em leilões e conexões de rede. Sem essa calibragem, os riscos para o cumprimento da meta de 2030 aumentam — não por escassez de recursos, mas por atrito político e operacional.
O desfecho dependerá, em última análise, do nível de compromisso e da eficácia de implementação por parte de governos, investidores e produtores. Para retomar a aceleração necessária, é preciso afinar as políticas como se fossem componentes de engenharia de ponta: cada ajuste conta para que o motor da economia global mantenha a marcha rumo à transição limpa.






















