Por Stella Ferrari — Apresentado aos mercados, o Plano Estratégico 2026-2028 da Enel estabelece um patamar superior de ambição e execução, com investimentos totais de cerca de €53 bilhões, um aumento de aproximadamente €10 bilhões em relação ao ciclo anterior. A estratégia define metas financeiras e operacionais claras, com ênfase na expansão de capacidade renovável, reforço da remuneração ao acionista e foco em mercados com demanda elétrica mais resiliente.
O programa projeta um lucro líquido ordinário por ação que deve subir até entre €0,80 e €0,82 em 2028. A alavancagem financeira é definida em 3,0x, enquanto o EBITDA cumulativo no período 2026-2028 é estimado em cerca de €74 bilhões, com mais de 90% proveniente de atividades reguladas ou contratualizadas. A RAB (regulatory asset base) é prevista em €58 bilhões em 2028, ante €47 bilhões em 2025.
Segundo Flavio Cattaneo, CEO do Grupo, “o novo plano combina crescimento acelerado — Brownfield e Greenfield — com uma melhoria do perfil risco/retorno do Grupo”. As ações nos últimos três anos criaram margem financeira para investir nas geografias mais dinâmicas da demanda elétrica, e a execução de uma nova tranche do programa de share buy-back reforçará a política de retorno ao acionista.
No detalhamento estratégico, a Enel prevê a adição de aproximadamente 15 GW de nova capacidade renovável durante o triênio, ao mesmo tempo em que mira alcançar cerca de 26 milhões de clientes no mercado livre. Esse plano combina expansão de ativos e crescimento de base de clientes para otimizar a geração de caixa e a previsibilidade dos fluxos.
O histórico recente sustenta a ambição: no triênio 2023-2025 o Grupo cumpriu os objetivos anunciados, completando desinvestimentos planejados, reduzindo o endividamento financeiro líquido e reequilibrando a estrutura de capital. A disciplina financeira e a realocação eficiente de recursos permitiram fortalecer o perfil risco-retorno e aumentar a criação de valor. No mesmo período foram distribuídos aos acionistas cerca de €15 bilhões entre dividendos e recompra de ações.
Em 2025, o rácio entre dívida líquida e EBITDA situou-se em 2,5x, e a taxa de conversão do EBITDA ordinário em lucro líquido atingiu aproximadamente 30% — um ganho de cerca de seis pontos percentuais face à média 2020-2022. O lucro por ação ordinário apresenta crescimento médio anual de 9% desde 2022, com expectativa de cerca de €0,69 por ação em 2025.
Do ponto de vista de política corporativa, a combinação de aumento de capex, foco em mercados estáveis e retorno ao acionista por meio de dividendos e recompras sugere uma calibragem fina: é a calibragem de juros financeira alinhada com a estratégia de crescimento — como ajustar um motor para extrair potência sem comprometer a durabilidade.
Em síntese, o novo plano da Enel posiciona a companhia para uma fase de aceleração — combinando escala em renováveis, reforço da base de clientes e disciplina financeira. Para investidores e gestores, a leitura é clara: a empresa está afinando seus freios e sua unidade motriz para entregar retorno consistente num cenário global de transição energética.





















