Por Stella Ferrari — La Via Italia
Enel encerrou 2025 com um desempenho relevante: um ganho de 34,7% no ano, mas permanece cotada com desconto frente às médias setoriais. Em minha avaliação, a ação apresenta um potencial de re-rating vinculado à eficiência operacional e à gestão de ativos — elementos que operam como a calibragem fina do motor da economia para um grupo de infraestrutura energética.
Segundo declarações do CEO Flavio Cattaneo, a companhia mantém uma estratégia de longo prazo focada na continuidade dos investimentos e na gestão disciplinada do portfólio: “a strategia di lungo periodo punta a garantire continuità negli investimenti e nella gestione degli asset esistenti”. Esse compasso estratégico reduz o risco de perdas de ativos, apoiado pelo histórico e pela escala do grupo.
Os múltiplos atuais explicam a percepção de desconto: o preço/lucro (p/e) está em cerca de 12x, enquanto o indicador enterprise value/ebitda (ev/ebitda) supera 7x. Em comparação, a média setorial situa-se próxima de 14,9x para o p/e e 9,9x para o ev/ebitda. A casa de análise AlphaValue confirma um target price de €11,2, que representa um incremento de aproximadamente 25% em relação à cotação corrente — margem concreta para investidores que acreditam na execução da gestão.
Há, porém, fatores estruturais que explicam parte do desconto relativo: a exposição reduzida da Enel ao mercado americano — onde tarifas e contratos têm mostrado crescimento mais vigoroso — e o peso do segmento de redes no Reino Unido, que apresenta dinâmicas regulatórias e de retorno distintas. Em comparação com múltiplos internacionais, observa-se que mercados com múltiplos mais altos apresentam p/e médios em torno de 18,5x e ev/ebitda perto de 12,1x.
Do lado macro, a compressão do risco soberano italiano contribuiu positivamente para a avaliação do grupo: o spread Btp/Bund reduziu cerca de 50 pontos-base em 2025, atingindo níveis mínimos desde 2009, um fator que funciona como um componente de “freio fiscal” afrouxado, favorecendo custo de capital mais baixo.
Em resumo, a Enel apresenta um case combinado de desempenho passado (ganho de 34,7% em 2025), múltiplos abaixo da média setorial e um target de €11,2 por parte da AlphaValue, o que indica espaço para apreciação se a administração continuar a entregar eficiência e progresso no processo de renovação dos ativos. Como estrategista, vejo o cenário como uma questão de “design de políticas” e execução: o re-rating dependerá da capacidade da empresa de alinhar retornos regulatórios, alocação de capital e exposição geográfica — a verdadeira engenharia de ponta para desbloquear valor.






























