Por Stella Ferrari — O relatório de emprego dos Estados Unidos referente a janeiro trouxe um resultado bem acima do consenso do mercado: foram criados 130 mil novos postos de trabalho, muito acima dos 66 mil previstos. Esse dado reforça que o mercado de trabalho americano mantém resiliência, alterando a dinâmica de projeções para a política monetária.
Na abertura, os três principais índices de Wall Street chegaram a avançar cerca de 0,50%, recuperando terreno frente aos futuros registrados pela manhã. No entanto, a partir das 16h retornaram a patamares próximos da paridade, em uma sessão marcada por tomadas de preço e avaliação da nova leitura macro.
O impacto imediato foi sentido na curva de juros: o rendimento dos títulos de dívida pública norte-americanos de dez anos subiu 4 pontos base. Esse movimento reflete a percepção de que a Federal Reserve terá menos necessidade de reduzir as taxas no curto prazo, dada a melhora no emprego — uma consequência direta na calibragem de juros.
A mesma narrativa impulsionou o câmbio. O dólar ganhou força frente ao euro: a moeda única foi negociada a 1,1862 dólares, sinalizando uma leve aceleração do dólar em função do ajuste das expectativas sobre juros.
Na Europa, os índices operaram com modestas altas. Londres destacou-se com um ganho de +0,90%. Em contraste, Piazza Affari permaneceu pressionada, recuando cerca de 0,70%. O fator de peso para Milão foi o setor de risparmio gestito — o mercado teme que novos instrumentos alimentados por inteligência artificial alterem a estrutura de receitas e competitividade do segmento.
Os nomes mais afetados em Milão foram: Fineco (-9%), Banca Mediolanum (-7,6%) e Azimut (-4,8%). O recuo se espalhou ao setor bancário: MPS caiu 3,5% e Intesa Sanpaolo 2,7%, refletindo tanto aversão a risco quanto preocupações setoriais.
Em termos estratégicos, o cenário atual exige leitura fina: se o emprego segue como um eixo robusto, há menor probabilidade de cortes rápidos de juros nos EUA, o que atua como um freio para ativos sensíveis a liquidez. Para gestores e conselhos, a entrada da inteligência artificial representa um desafio competitivo e de produto — uma espécie de nova arquitetura que pode reconfigurar margens e processos. É essencial calibrar portfólios e estratégias de produto com rapidez e precisão, como quem ajusta a suspensão de um automóvel de alta performance para recuperar aderência em curvas inesperadas.
Conclusão: o motor da economia americana continua girando com força suficiente para influenciar juros, câmbio e fluxos globais. Em Milão, a pressão sobre o risparmio gestito lembra que inovação tecnológica pode ser tanto aceleração quanto freio competitivo — cabe às instituições transformarem risco em vantagem.






















