Por Stella Ferrari, Economista Sênior — Espresso Italia
easyJet anotou uma perda antes de impostos de £92 milhões (-52%) no primeiro trimestre do ano fiscal de 2026, encerrado em dezembro de 2025. O resultado representa um aumento de £32 milhões na comparação com o mesmo período do ano anterior. A perda operacional do trimestre ficou em £76 milhões, um acréscimo de 90% frente aos £40 milhões registrados no primeiro trimestre de 2025.
A empresa atribui esse desempenho negativo, em grande parte, aos investimentos significativos realizados nos aeroportos italianos de Milano Linate e Roma Fiumicino, além do cenário competitivo persistente em mercados locais. Em linguagem de engenharia financeira, trata-se de uma calibragem estratégica: a expansão funciona como um motor cuja potência pode levar algum tempo até gerar a aceleração econômica esperada.
Apesar das perdas, o grupo apresentou crescimento de receita. A receita total subiu 11%, para £2,25 bilhões. O número de passageiros transportados no trimestre alcançou 22,7 milhões (+8,5% vs 21,2 milhões no ano anterior). A receita principal cresceu 9%, para £1,36 bilhão, e a receita ancilar — proveniente de bagagens, assentos reservados e serviços extras — também subiu 9%, alcançando £584 milhões. Destaque para a divisão easyJet Holiday, que acelerou com um ganho de 26%, chegando a £311 milhões.
Os custos operacionais aumentaram sob pressão inflacionária, embora a queda do custo do combustível tenha oferecido um alívio parcial. A companhia ressalta que o retorno econômico sobre os investimentos em Linate e Fiumicino demanda tempo antes de se refletir nos resultados operacionais — uma dinâmica típica de projetos de longo prazo que visam consolidar posição e capacidade de receita.
Em termos de demanda, o período de reservas de janeiro registrou níveis recordes tanto em volume quanto em faturamento, com tendência positiva estendendo-se às reservas para o verão de 2026. Para o primeiro semestre do ano, já foram efetuadas 22% das reservas totais e 47% das reservas específicas da easyJet Holiday. Para 2026 a companhia projeta um aumento de capacidade de 7% e crescimento de assentos disponíveis de 3%, ligeiramente abaixo dos níveis do ano anterior.
Do ponto de vista estratégico, a expansão em Milão e Roma é posicionada como uma alavanca de longo prazo para consolidar presença no mercado italiano e fortalecer a unidade turística easyJet Holiday, considerada chave para sustentar o negócio nos próximos trimestres. Em termos de gestão de portfólio, trata-se de priorizar a construção de capacidade e receitas futuras mesmo assumindo fricções de curto prazo — os “freios” hoje podem ser o campo de lançamento da aceleração amanhã.
Kenton Jarvis, CEO, sublinha que a companhia continua a monitorar a dinâmica de custos e demanda, com atenção especial à eficiência operacional e ao desenvolvimento do portfólio de rotas e serviços. Para investidores e gestores, a leitura é clara: é necessário tolerância de curto prazo para que a estratégia de expansão gere retorno sustentável no médio prazo.
Em síntese, o 1º trimestre fiscal de 2026 da easyJet combina crescimento de receita e tráfego com prejuízo operacional impulsionado por investimentos estratégicos e custos inflacionários. A situação exige precisão de execução — como numa máquina de alta performance, a calibragem de investimentos e custos definirá a próxima fase de aceleração.






















