Por Stella Ferrari — A União Europeia reage com firmeza às recentes declarações dos Estados Unidos sobre tarifas: segundo o comissário europeu para a Economia, Valdis Dombrovskis, as ameaças de dazi não podem ser utilizadas como instrumento de pressão diplomática. À chegada à reunião do Eurogrupo, Dombrovskis sublinhou a solidariedade da União Europeia com a Dinamarca, a Groenlândia e os seus povos, lembrando o princípio de respeito pela soberania e integridade territorial dos Estados-membros.
“O parceiro transatlântico para o comércio e os investimentos é o maior do mundo; há muito a perder economicamente, tanto para a Europa quanto para os Estados Unidos, suas empresas e trabalhadores”, declarou Dombrovskis. No tom calculado de quem entende os sistemas de mercado como um motor que requer calibragem fina, acrescentou que é preciso encontrar uma solução construtiva que respeite o direito internacional e preserve relações económicas e políticas estratégicas.
Quanto às medidas, o comissário foi claro: existem ferramentas disponíveis e, neste momento, “nada está excluído”. Estão em curso consultas intensas e, ainda esta semana, terá lugar um encontro extraordinário de chefes de Estado e de Governo europeu para definir a resposta política da UE.
O anúncio presidencial de Washington de um imposto de 10% sobre mercadorias originárias de Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Países Baixos e Finlândia, com entrada em vigor prevista para 1º de fevereiro, provocou reação imediata nos mercados. A tarifa subiria para 25% a partir de 1º de junho caso não seja alcançado acordo que permita aos EUA ‘adquirir’ o território em causa — referência explícita à Groenlândia. Em retaliação, a UE pondera impor tarifas sobre bens norte-americanos até um montante estimado em 93 mil milhões de euros.
Os principais índices europeus abriram em queda: Paris recuou 1,46%, Frankfurt 1,07%, Londres 0,44% e Milão 1,30%, refletindo a incerteza gerada por esta escalada de tensões comerciais. É uma confirmação prática de que choques geopolíticos se traduzem rapidamente em perda de valor de mercado — como quando se corta a alimentação de um turbo bem afinado.
O ministro das Finanças alemão, Lars Klingbeil, também advertiu que ainda não é o momento de acionar o instrumento anti-coerção da UE: a prioridade é evitar uma escalada, mas, se Washington avançar com as tarifas anunciadas para 1º de fevereiro, a resposta europeia terá de ser determinada. “Temos um vasto leque de instrumentos e devemos estar prontos a utilizá-los”, disse Klingbeil.
Em resumo, a União Europeia mostra-se unida e pronta a proteger princípios fundamentais e interesses económicos. A situação exige uma calibragem política e económica precisa: a estabilidade das relações transatlânticas é parte do chassi que sustenta o comércio global, e qualquer alteração brusca pede uma resposta técnica e estratégica à altura.





















