Stella Ferrari — Em leitura cuidada dos dados publicados pela Banca d’Italia sobre o endividamento e o financiamento das administrações públicas, verifica-se que, ao término de 2025, a dívida pública italiana atingiu €3.095,5 bilhões. Trata‑se do valor anual mais elevado já arquivado, com um acréscimo de €128,6 bilhões em relação aos €2.966,9 bilhões registados no fim de 2024.
Embora o aumento anual seja significativo, o montante apurado em dezembro permanece abaixo dos picos observados nos meses anteriores: em novembro o total era de €3.124,9 bilhões e, em outubro, chegou ao recorde histórico de €3.130,9 bilhões. Essa dinâmica sugere flutuações sazonais e efeitos de gestão de liquidez ao longo do ano.
O crescimento do estoque de dívida em 2025 resultou de múltiplos vetores. Em primeiro lugar, o fabbisogno das administrações públicas contribuiu com €109,2 bilhões. A essa componente soma‑se o incremento das disponibilidades líquidas do Tesouro, que passaram de €14,7 bilhões para €52,4 bilhões — um movimento de caixa que elevou o saldo final do endividamento.
Outros fatores relevantes incluíram os escopos e prêmios associados às emissões e reembolsos de títulos do Estado, a atualização de securities indexados à inflação e variações cambiais, com um impacto combinado de €4,6 bilhões.
Ao decompor o total por sub‑setores, as administrações centrais foram o motor principal do aumento: o débito dessas administrações subiu €132 bilhões, alcançando €3.016,3 bilhões. Em sentido inverso, o débito das administrações locais apresentou redução, diminuindo €3,4 bilhões e ficando em €79,1 bilhões. Os fundos e entidades previdenciárias mantiveram o seu endividamento praticamente estável em relação a 2024.
A vida média residual da dívida também se manteve quase inalterada, em 7,9 anos, o que denota uma manutenção na estrutura temporal do portfólio de passivos do Estado. Paralelamente, a participação da Banca d’Italia no total do stock caiu para 18,5%, ante os 21,6% do ano precedente, reflexo tanto de operações de mercado quanto de escolhas de gestão da liquidez e financiamento do Estado.
Em suma, 2025 fecha com uma dívida pública em alta no comparativo anual, mas com valores inferiores aos recordes outonais — sinal de que a gestão do Tesouro e a calibragem das políticas financeiras atuaram como freios parciais às acelerações registradas ao longo do ano. O principal condutor desse resultado foi o fabbisogno das administrações centrais; por sua vez, as administrações locais e os entes previdenciários exerceram efeito moderador.
Como estrategista, observo que a evolução da participação do Banco central no estoque é um indicador técnico crucial — uma peça do painel de controlo que influencia a calibragem de juros, as decisões de financiamento e a sensação de risco nos mercados. A trajetória dos próximos meses exigirá coordenação fina entre políticas fiscais, gestão do Tesouro e dinâmica dos mercados para manter sob controle o “motor” do endividamento público.





















