Stella Ferrari — O conselho de administração da Disney acelerou a tomada de decisão sobre a próxima liderança executiva enquanto apresenta resultados que mostram resiliência operacional. Em análise apertada para suceder Bob Iger, os nomes mais avaliados são Dana Walden, co-presidente de Disney Entertainment, e Josh D’Amaro, presidente da divisão Experiences. A decisão final é esperada até o fim do primeiro trimestre de 2026.
O exercício encerrado em dezembro trouxe receitas consolidadas de US$25,98 bilhões, alta de 5% sobre o ano anterior, superando as estimativas de mercado de US$25,74 bilhões. O lucro por ação ficou em US$1,63, acima do consenso de US$1,57. Já o lucro líquido consolidado foi de US$2,48 bilhões, ligeira queda ante os US$2,64 bilhões do período anterior.
A divisão que mais se destacou foi, novamente, a Experiences — parques, resorts e cruzeiros — que ultrapassou pela primeira vez a marca histórica de US$10 bilhões em receitas trimestrais, reafirmando-se como o motor da recuperação e um dos principais vetores de geração de caixa do grupo.
No detalhamento operacional, os parques americanos somaram quase US$7 bilhões, enquanto os parques internacionais alcançaram US$1,75 bilhão, registrando avanço de 7%. A companhia projetou fluxos de caixa operacionais de cerca de US$19 bilhões para o próximo exercício e anunciou um plano expressivo de recompra de ações (buyback) no montante de US$7 bilhões para 2026.
As expectativas para o segmento de streaming também foram delineadas: Disney+ e Hulu são estimados para alcançarem um resultado operacional de aproximadamente US$500 milhões no segundo trimestre de 2026. Por outro lado, a divisão Experiences seguirá suportando investimentos relevantes, como a expansão da frota de cruzeiros e a inauguração da nova área temática Frozen em Disneyland Paris.
Apesar dos números superarem as projeções, a reação de mercado foi moderada: o título abriu em alta no pré-market, mas virou para queda, recuando cerca de 1,4% influenciado pelo movimento negativo do Nasdaq.
Do ponto de vista estratégico, a sucessão de liderança é hoje a prioridade. Após a experiência mal-sucedida com Bob Chapek — destituído em 2022 e responsável pelo retorno de Iger — o conselho busca sustentar a trajetória de recuperação com um CEO capaz de calibrar crescimento orgânico e disciplina financeira. A escolha entre Walden e D’Amaro traduz um dilema clássico entre foco em conteúdo e excelência operacional dos ativos físicos — essencialmente, entre otimização do motor criativo e aprimoramento da transmissão de torque do negócio para o caixa.
Em síntese, a Disney entra em 2026 com caixa robusto previsto, um plano de recompra significativo e uma liderança em transição que será determinante para a próxima fase de aceleração. A calibragem correta do novo comando será tão crucial quanto o design de políticas que nortearão investimentos em streaming e parques — setores que mantêm a empresa no centro do ecossistema de entretenimento global.






















