Por Stella Ferrari — A paixão nacional pela pizza mantém-se como um motor cultural e econômico que não perde a força: segundo pesquisa Coldiretti-Ixè divulgada por ocasião do Dia Mundial da Pizza, mais de 10 milhões de famílias italianas preparam a pizza em casa. Essa tendência acompanha uma clara aceleração na busca por versões artesanais e gourmet, com foco em matérias-primas de alta qualidade e processos tradicionais.
Nos mercados de Campagna Amica, as celebrações incluíram oficinas práticas no mercado do Circo Massimo, onde consumidores aprenderam a confeccionar massas com farinhas de grãos antigos para levar para casa e finalizar com produtos sazonais. Chefs agricultores apresentaram uma pizza-símbolo do território preparada com Caciofiore di Columella, Broccolo romanesco e o azeite da variedade Rosciola — produtos identificados com os selos (Sigilli) de Campagna Amica e recuperados de risco de extinção graças ao trabalho de agricultores custodios.
O movimento pela pizza caseira reflete um consumidor mais exigente e sofisticado: farinhas ancestrais, ingredientes de denominação de origem e produtos km zero — como tomate e mozzarella tricolore — ganham protagonismo. Essa evolução não é apenas gastronômica, é também estratégica: a valorização da cadeia produtiva local contribui para a robustez do setor, funcionando como uma calibragem de políticas públicas que favorecem a qualidade e a sustentabilidade.
O reconhecimento internacional também sustenta a narrativa: a arte dos pizzaioli napoletani foi inscrita pela UNESCO, enquanto a culinária italiana figura entre os Patrimônios da Humanidade. A pizza, ícone do Made in Italy, movimenta cifras significativas — um faturamento global recorde estimado em mais de €160 bilhões, segundo dados da Vpa Research.
No mercado doméstico, o setor da pizza na Itália representa mais de €15 bilhões, com cerca de 2,7 bilhões de pizzas produzidas anualmente. Originária de Nápoles, a paixão pela pizza espalhou-se pelo mundo: os Estados Unidos lideram o consumo per capita com 13 kg por pessoa ao ano, enquanto os italianos ficam à frente na Europa com 7,8 kg anuais. Na sequência aparecem espanhóis (4,3 kg), franceses e alemães (4,2 kg), britânicos (4 kg), belgas (3,8 kg), portugueses (3,6 kg) e austríacos (3,3 kg).
Como estrategista, vejo a trajetória da pizza como um case de alta performance: da tradição à inovação, do campo ao forno, cada etapa é uma peça de um motor maior — o sistema agroalimentar italiano — cuja eficiente calibragem de juros e políticas setoriais podem acelerar ainda mais o valor agregado, sem acionar os freios fiscais que prejudicam pequenos produtores. Em mercados de luxo ou em cozinhas familiares, a pizza continua a ser um vetor de identidade e renda, com potencial para novas sinfonias de qualidade e crescimento.

















