Em uma movimentação que altera a paisagem jurídica ao redor do escândalo MPS, Deutsche Bank optou por encerrar extrajudicialmente a ação movida por Michele Foresti, ligado à operação conhecida como Santorini. O acordo foi anunciado na manhã de 13 de fevereiro, mas a instituição financeira não tornou públicos os termos do ajuste.
A resolução com Foresti não representa, porém, o fim dos desdobramentos judiciais envolvendo o banco alemão: permaneceram ativas outras demandas, em especial a ação promovida por Dario Schiraldi, que segue em processo na Alemanha e pleiteia indenização de 152 milhões de euros.
O histórico do caso revela que, nos primeiros atos da investigação iniciada em 2013 sobre as operações vinculadas ao Monte dei Paschi di Siena, Foresti figurava entre os principais executivos do grupo bancário. Após o julgamento em primeira instância ter recorrido em condenações contra alguns profissionais, o Tribunal de Apelação de Milão posteriormente absolveu, com a máxima fórmula, vários ex-banqueiros. Foi nessa esteira que Foresti e outros — entre eles Ivor Scott Dunbar, Matteo Angelo Vaghi e Marco Veroni — promoveram ações contra o banco em Londres, buscando reparação pelos prejuízos reputacionais e processuais sofridos.
Os ex-parte alegaram, no cerne das contestações, que documentos fornecidos pelo banco às autoridades teriam sido manipulados, fator que teria influenciado decisões judiciais iniciais. No caso de Foresti, no entanto, a via judicial não será percorrida até o fim: o litígio foi transacionado fora dos tribunais.
Deutsche Bank, por sua vez, enfatizou que a posição de Foresti era distinta da dos demais ex-banqueiros e qualificou as alegações como infundadas, afirmando que se defenderá “vigorosamente” quando acionada em juízo. A instituição mantém, portanto, uma estratégia de contenção seletiva: negociar quando julga oportuno e litigar quando entende necessário, uma calibragem de riscos comparável à afinação de um motor exigindo equilíbrio entre potência e controle.
Enquanto algumas frentes são acomodadas por acordos extrajudiciais, outras continuam a demandar atenção e recursos jurídicos. O processo de Schiraldi, com o pedido de 152 milhões de euros na Alemanha, é o principal capítulo ainda em aberto e pode redefinir a dimensão das responsabilidades do banco no episódio.
Do ponto de vista macroeconômico e reputacional, cada movimento judicial funciona como um componente do “motor da economia” do setor financeiro: desacelerações locais podem gerar ondas de confiança ou de fricção global. Para investidores e gestores, acompanhar a sequência de desdobramentos é essencial para calibrar exposição e avaliar riscos regulatórios e de governança.
Por Stella Ferrari – Espresso Italia





















