Por Giulliano Martini — Apuração in loco e cruzamento de fontes. A partir de hoje entra em vigor o primeiro aumento decidido na última manovra orçamentária para o setor do tabaco: as embalagens das “bionde” do grupo Morris sofrerão um acréscimo de 30 cêntimos por maço, conforme os listinos atualizados pela Agenzia delle Dogane e dei Monopoli.
O reajuste atinge inicialmente consumidores de Marlboro — cujo preço ao público poderá alcançar €6,80 por maço — além de marcas como Chesterfield, Merit, Diana e Muratti. Nos próximos dias os Monopoli deverão publicar as tabelas com os novos preços também para as demais marcas.
O documento oficial lista preços atualizados para cigarros, sigaretti, charutos, tabaco trinciato e outros produtos de fumo, mas, por ora, não inclui produtos de tabaco aquecido do tipo Terea, Glo ou Ploom. Segundo estimativa da associação de consumidores Assoutenti, a mudança representará um aumento de receita para o Estado de cerca de 1,47 mil milhões de euros entre 2026 e 2028.
Assoutenti detalha ainda os novos coeficientes aplicáveis aos produtos de inalação sem combustão: para líquidos contendo nicotina, o coeficiente passa a 18% em 2026, 20% em 2027 e 22% a partir de 2028; para líquidos sem nicotina, as percentagens são 13% (2026), 15% (2027) e 17% (2028).
A Federação Italiana dos Tabacários (Federazione Italiana Tabaccai) informou que o listino já foi publicado no site da Agenzia delle Dogane e dei Monopoli e que a modificação tarifária entra em vigor a partir de 16 de janeiro de 2026. Em paralelo, Assoutenti recorda que a tributação sobre o tabaco rende ao erário cerca de €15 bilhões anuais.
O presidente de Assoutenti, Gabriele Melluso, especificou o impacto do pacote de aumentos: um incremento de receita pública de €213 milhões em 2026, €465,8 milhões em 2027 e €796,9 milhões em 2028, totalizando os €1,47 bilhões previstos para o triénio.
No corpo da manovra está previsto um aumento progressivo do montante mínimo fixo das accise sobre cigarros, sigaretti e tabaco trinciato, além da redefinição dos coeficientes para o cálculo da accise sobre produtos de tabaco aquecido. Especificamente:
- Accisa sobre tabacchi lavorati: de €29,50 por 1.000 cigarros (2025) para €32 em 2026; €35,50 em 2027; €38,50 em 2028.
- Importo mínimo dell’accisa sui sigaretti: de €37 para €47 por kg convencional em 2026; €49 em 2027; €51 em 2028.
- Importo mínimo dell’accisa sul trinciato: de €148,50/kg para €161,50 em 2026; €165,50 em 2027; €169,50 em 2028.
O aumento programado é apenas o início de um ciclo de reajustes progressivos que vão permear o mercado até 2028. Do ponto de vista do consumidor, trata‑se de uma elevação imediata no preço de tabela que deverá ser refletida nas gôndolas e nas vendas a retalho, enquanto o Estado contabiliza ganho fiscal e as associações avaliam o impacto sobre os hábitos de consumo.
Esta reportagem foi elaborada com base nos comunicados da Agenzia delle Dogane e dei Monopoli, declarações públicas da Federazione Italiana Tabaccai e nas análises divulgadas por Assoutenti, mediante cruzamento de fontes e verificação dos documentos oficiais. A realidade traduzida: aumento imediato para as marcas do grupo Morris e reajustes escalonados das accise até 2028.



















