Por Stella Ferrari – O novo capítulo do conflito tarifário entra em vigor hoje e já imprime sinais de tensão nos principais centros financeiros. As dazi recentemente anunciadas, combinadas ao aviso público de Donald Trump para que não se façam “jogos” aproveitando a decisão da Suprema Corte, atuaram como um choque imediato no sentimento dos investidores.
No epicentro do abalo até agora está o mercado americano: Wall Street fechou ontem em forte queda, com o Dow Jones recuando 1,6% e o Nasdaq caindo 1,1%. Esse movimento funciona como uma freada súbita no motor da economia financeira global, reduzindo o apetite por risco.
Em contraponto, as bolsas europeias abriram nesta sessão com perdas mais contidas, refletindo uma calibragem diferenciada entre regiões. Milão recuou 0,5%, Londres 0,2%, enquanto Frankfurt e Paris registraram baixa de 0,3%. Esse comportamento denota que a Europa, por ora, opera com amortecedores menores diante da novidade das tarifas, mas segue vulnerável caso o conflito escale.
No panorama asiático, a disparidade regional ficou nítida: Hong Kong sofreu um forte revés, com queda de 1,8%, puxada pelo setor de tecnologia. Investidores demonstraram preocupação legítima com a possibilidade de interrupções nas cadeias internacionais de suprimentos de chips essenciais para projetos de inteligência artificial. Já outras praças asiáticas aproveitaram a janela de oportunidade: Xangai, retornando às negociações após a longa pausa do Ano Novo, avançou 0,8%, e Seul ganhou cerca de 2,0%.
Do ponto de vista estratégico, a situação exige atenção redobrada por parte de gestores e conselhos. As novas dazi funcionam como uma reprogramação do mapa de custos para cadeias produtivas sensíveis, especialmente nos segmentos de semicondutores e tecnologia de ponta. Em termos de política econômica, isso equivale a reajustar a calibragem de juros e os dispositivos de freios fiscais em cenários de maior incerteza externa.
Para o investidor de alto desempenho, a recomendação é manter a disciplina: revisar exposição a ativos com alto conteúdo tecnológico e dependência de supply chains globais, enquanto se considera proteção tática por meio de hedge e alocação em mercados que já mostram resiliência. Em paralelo, acompanhar sinais políticos — como novas declarações de líderes e interpretações judiciais — será crucial para antecipar a velocidade e a direção da próxima aceleração de tendências.
Em suma, o dia confirma que o mercado reage rapidamente a mudanças regulatórias globais; a diferença entre uma queda localizada e uma correção sistêmica dependerá da escalada das medidas e da capacidade dos formuladores de política de conter o impacto. A prudência estratégica e a visibilidade operacional hoje valem tanto quanto a performance ontem.
Stella Ferrari
Economista sênior, Espresso Italia






















