O Eurogrupo selecionou como novo vice-presidente do Banco Central Europeu o presidente do banco central da Croácia, Boris Vujčić. A nomeação, anunciada após longa reunião política, confirma que Vujčić substituirá Luis de Guindos a partir de 1º de junho de 2026 e antecipa parte das dinâmicas que irão moldar a sucessão de Christine Lagarde em 2027.
Dirigente do banco central croata desde 2012, Boris Vujčić foi peça-chave no processo que conduziu a Croácia à adoção do euro, concluído definitivamente em 2023. Essa trajetória reforça sua experiência técnica e política em mecanismos de integração monetária — um perfil apreciado em Francoforte quando se trata de gerir o motor da moeda única.
Analistas definem Vujčić como um falco moderado: alinhado com a ala mais vigilante do Conselho do BCE, mas sem a dureza de outros representantes explícitos dos «hawks». Na prática, isso significa prioridade à estabilidade de preços e disposição a adotar uma política de calibragem de juros mais apertada quando necessário, em vez de sacrificar o controle inflacionário em favor de estímulos ao crescimento. Para economias como a italiana, que convivem com crescimento modesto e inflação controlada, esta pode ser uma notícia de menor alívio — sobretudo se a necessidade de apertos monetários reaparecer.
Vujčić superou concorrentes notáveis: Mário Centeno (Portugal), Mārtiņš Kazāks (Letônia), Madis Müller (Estônia), Olli Rehn (Finlândia) e Rimantas Šadžius (Lituânia). Centeno figurava entre os favoritos, mas sua candidatura foi prejudicada por considerações geopolíticas e de equilíbrio nacional nas nomeações europeias — uma prática recorrente para evitar que cargos-chave sejam ocupados por representantes do mesmo país.
Essa regra tácita de distribuição nacional tem impacto direto no tabuleiro de poder do BCE. A escolha de um croata para a vice-presidência, e de perfil mais cauteloso, tende a favorecer perfis do Sul da Europa na disputa pela sucessão de Lagarde. Entre os nomes hoje cotados estão Pablo Hernández de Cos, apoiado por Espanha, e o holandês Klaas Knot, presidente do banco central dos Países Baixos — embora as dinâmicas políticas europeias frequentemente deixem a Alemanha de fora das vagas mais altas, por questões históricas e de equilíbrio institucional.
Em síntese, a nomeação de Boris Vujčić é um movimento de alta precisão: afina o leme do BCE numa fase em que a prioridade é evitar um sobreaquecimento inflacionário, sem perder completamente a sensibilidade para o crescimento. Do ponto de vista estratégico, trata-se de uma calibragem que mantém o motor da política monetária europeu pronto para acelerar ou frear conforme a evolução dos dados econômicos.
Nota: A nomeação de Vujčić é a última grande escolha em Francoforte antes do início formal da corrida pela presidência do BCE, cuja decisão final influenciará a trajetória da política monetária europeia nos anos seguintes.






















