Por Stella Ferrari — Em declaração clara e estratégica, Adriano Bordignon, presidente do Forum das Associações Familiares, ressaltou a urgência de políticas públicas que atuem de forma preventiva diante do crescente desajuste juvenil. Segundo Bordignon, episódios recentes de violência evidenciam como a combinação de exclusão, marginalidade social e a fragilidade de presídios culturais e educativos no território pode converter desalento em risco para a segurança coletiva.
Do ponto de vista de gestão pública e de coesão social, Bordignon saudou a inclusão, no projeto de lei que integra o chamado pacote de segurança, de medidas voltadas ao potenciamento de ações educativas e preventivas. Em sua leitura, a inovação mais relevante é a constituição da rede territorial da aliança educativa, que reúne núcleos familiares, escola, associações e entidades esportivas — uma arquitetura de proximidade que coloca as famílias no centro do desenho de políticas.
“As famílias não devem ser tratadas apenas como locais de problemas, mas ativadas como protagonistas do bem-estar social”, afirmou o dirigente. A proposta prevê co-projetos de base, amparados por uma parcela dos recursos destinados ao Departamento para a Família, com vistas a criar redes locais estáveis e geradoras de capital social. Nesse modelo, os Centros para a Família passam a operar como presídios de comunidade: pontos de referência para orientações, articulação e oferta de oportunidades de socialização saudável para jovens.
Do ponto de vista econômico e de políticas públicas, a medida tem sentido se houver calibragem orçamentária adequada. A alocação de recursos é condição sine qua non para que o desenho institucional não fique apenas no papel. Uma calibragem de políticas bem feita transforma intenções em programas de longo prazo, com mecanismos de governança local que permitam mensuração de impacto e ajuste contínuo.
Bordignon expressou também apoio à iniciativa da ministra Eugenia Roccella, responsável pelo portfólio da Família, Natalidade e Igualdade de Oportunidades, e pediu um trâmite legislativo célere. “Esperamos uma aprovação rápida e uma implementação eficaz, com recursos apropriados, para que as medidas se convertam em intervenções concretas e duradouras em favor dos jovens e de suas famílias”, declarou.
Como estrategista, interpreto essa proposta como uma tentativa de reconectar o “motor da economia social”: quando jovens encontram espaços de pertença e projetos, reduz-se a pressão sobre serviços de segurança e saúde, e aumenta-se o potencial produtivo de uma geração. A iniciativa requer, porém, integração entre escolas, terceiro setor e administrações locais, além de métricas claras de desempenho.
A mensagem é dupla e precisa: Primeiro, é imprescindível uma abordagem preventiva que fortaleça redes de proximidade; segundo, as famílias devem ser reconhecidas e empoderadas como eixo da política educativa. Sem esses vetores, os freios são frágeis e a aceleração das tendências de exclusão acaba por comprometer a estabilidade social.






















