As bolsas europeias fecharam em alta hoje e apresentam comportamento positivo também no balanço semanal, com Paris liderando os ganhos seguidos por Londres. Milão registrou um avanço modesto de 0,79%, porém a sessão foi fortemente condicionada pela queda acentuada de Stellantis, que atuou como lastro para o mercado local.
O grupo automotivo sofreu uma desvalorização de -25,17% no pregão, com suspensões de negociação ao longo da sessão, e acumula cerca de -50% no último ano. A queda drástica ocorreu após a divulgação de resultados preliminares da segunda metade de 2025 e das novas orientações para 2026: a empresa anunciou um reposicionamento estratégico que afasta a aposta exclusiva no carro elétrico e implica provisões significativas.
O impacto contabilizado previsto é de aproximadamente 22 bilhões de euros em 2025, dos quais perto de 15 bilhões se relacionam ao rialinhamento do portfólio de produtos — cancelamentos de modelos, volumes menores e margens reduzidas. Em termos práticos, trata-se de uma recalibração do motor produtivo da empresa: cortar modelos e readequar capacidade é uma operação de engenharia financeira e industrial, equivalente a reconfigurar a transmissão para recuperar desempenho em outro regime de mercado.
Não é um movimento isolado no setor: nos meses anteriores, Ford e General Motors já haviam efetuado grandes correções e ajustes de balanço, reconhecendo custos de transição relacionados à eletrificação e à evolução da carteira de produtos.
Wall Street e semicondutores
Do outro lado do Atlântico, Wall Street reverteu três dias de queda e avançou mais de 1% em seus três principais índices. Apesar do desempenho positivo do dia, o balanço semanal ficou negativo para o S&P 500 e especialmente para o Nasdaq, que recuou quase 3% na semana.
O setor de semicondutores registrou uma recuperação nítida, com destaque para Nvidia, que subiu cerca de 7%, puxando ganhos para fornecedores e empresas de tecnologia associadas à inteligência artificial. Contudo, nem todas as notícias favoreceram o setor: Amazon caiu cerca de 7% após divulgar resultados trimestrais que, apesar de números robustos em alguns segmentos, trouxeram orientação de gastos elevados. Situação semelhante ocorreu com Alphabet, cujos resultados superaram expectativas, mas os anúncios de investimentos em grande escala inquietaram investidores pelo impacto sobre a geração de caixa de curto prazo.
Cripto e contexto macro
No mercado de criptomoedas, o bitcoin ensaiou recuperação, ficando um pouco abaixo de US$ 70.000 após as perdas de ontem. A criptomoeda acumula queda de aproximadamente 43% desde o pico do início de outubro, refletindo a elevada volatilidade que ainda caracteriza o ativo. Em termos macro, os mercados seguem numa fase de calibragem — entre a aceleração das apostas em tecnologia e os freios fiscais e monetários que pesam sobre avaliações e investimentos.
Como estrategista, vejo a sessão de hoje como um lembrete da necessidade de projetos empresariais com design de políticas e execução financeira rigorosa. A mudança da Stellantis evidencia que a transição energética automotiva não é linear: requer ajustes periódicos, provisões robustas e uma gestão que saiba calibrar risco e retorno. Num ambiente em que a calibragem de juros e o apetite por investimento ditam ritmo, empresas automobilísticas precisam reavaliar continuamente sua configuração de produto e capital — é a verdadeira manutenção do motor da economia industrial nesta era de transformação.






















