Por Stella Ferrari — As praças europeias abriram em terreno negativo, com Milão liderando as perdas e registrando -0,6%, pressionada sobretudo pelo setor de gestão de ativos. O dia foi marcado por preocupações sobre o impacto que novos instrumentos baseados em inteligência artificial podem ter sobre modelos tradicionais de receita e comissões. Entre os nomes mais atingidos, destaca-se Fineco, que caiu -9%, seguida por desempenhos negativos de Banca Mediolanum e Azimut.
O movimento em Milão reflete uma recalibração dos investidores: ao analisar o design de políticas e a dinâmica competitiva, há quem tema que soluções algorítmicas e produtos híbridos acelerem a compressão das margens no universo do *asset management*. Em termos mecânicos, podemos dizer que a gestão de ativos sentiu um freio brusco na sua marcha — uma calibragem que o mercado está testando em tempo real.
Nos Estados Unidos, os índices operaram de forma mista: Dow e Nasdaq em queda, enquanto o S&P 500 manteve-se praticamente estável. O pano de fundo foi o relatório de emprego de janeiro, que veio muito mais forte que o esperado — 130 mil novas vagas ante 66 mil previstas — informação que inicialmente foi recebida de forma positiva pelos mercados.
No entanto, a leitura mais ampla é que um mercado de trabalho mais robusto reduz a probabilidade, na visão dos investidores, de cortes de juros pela Fed no curto prazo. Como consequência direta, houve aumento nos rendimentos dos títulos do Tesouro americano, um sinal claro de que o custo do capital está sendo revisado.
Essa maior atratividade relativa dos ativos em dólares impulsionou a moeda americana frente à moeda europeia: o dólar valorizou-se e o euro foi cotado a US$ 1,1862. Em suma, a combinação de dados econômicos mais fortes nos EUA e as incertezas setoriais na Europa criou uma dinâmica de rotação de ativos que penalizou, sobretudo, os papéis ligados à gestão de ativos.
Importante notar que Londres se apresentou como exceção ao movimento negativo geral, mantendo desempenho mais resiliente entre as bolsas europeias. Essa distinção reflete diferenças de composição setorial e de sensibilidade às notícias sobre tecnologia financeira.
Do meu ponto de vista, como estrategista que acompanha a alta performance de mercados globais, a situação exige uma leitura fina: não se trata de um rompimento estrutural imediato do setor, mas de um ajuste de avaliação. Investidores e conselhos devem tratar essa fase como uma oportunidade para rever o design de produtos e as alianças tecnológicas, calibrando risco, preço e inovação — praticamente o ajuste de suspensão em um veículo de alto desempenho para recuperar estabilidade e velocidade sustentada.
Em resumo: bolsas europeias em baixa, Milão em destaque negativo por preocupações com gestão de ativos e inteligência artificial, Fineco com queda acentuada, EUA com emprego forte que pressiona para cima os rendimentos e o dólar, e o euro a US$ 1,1862.






















