As Bolsas europeias registraram outra sessão positiva, com destaque para a recuperação dos ativos do setor de high tech tanto na Ásia quanto na Europa. Em Milão, o índice principal avança mais de 1% e ultrapassa os 45.000 pontos, níveis não alcançados desde dezembro de 2000, refletindo otimismo generalizado no mercado.
Os papéis bancários continuam em evidência, com ganhos expressivos em muitos bancos, impulsionados por expectativas sobre medidas regulatórias. Em particular, o banco Mps registra alta adicional de cerca de 2,5% em meio a informações de imprensa que apontam para um provável aval do BCE às alterações estatutárias da instituição, notícia que tem alimentado as apostas de recuperação do setor.
No entanto, os verdadeiros protagonistas do dia são os títulos de tecnologia. O segmento, que havia mostrado volatilidade no fim de dezembro, recupera força nesta sessão, beneficiado por novos sinais de dinamismo global. Uma notícia vinda de Hong Kong confirmou que o gigante chinês Baidu estuda a possível listagem em bolsa de sua controlada especializada na produção de chips, um movimento que destaca a efervescência e o interesse por ativos ligados à cadeia de semicondutores.
Em Milão, a reação do mercado ao impulso do setor tecnológico foi imediata. Empresas com exposição ao segmento registraram ganhos significativos: a STMicroelectronics avançou cerca de 5,4%, enquanto a Prysmian aproximou-se do patamar de +4%. Esses desempenhos ilustram como ganhos em nomes de tecnologia e indústria de componentes podem reverberar de forma ampla no índice local.
O movimento positivo não se limita à Europa. A abertura em Wall Street também ocorre em terreno favorável, com o setor de high tech exercendo papel de liderança entre os impulsionadores do mercado. Investidores permanecem, porém, atentos a eventos jurídicos e políticos que podem influenciar a agenda econômica global. Entre os fatores de atenção está a aguardada decisão da Corte Suprema dos Estados Unidos sobre a legitimidade dos direitos aduaneiros impostos pela administração anterior, tema que pode afetar empresas exportadoras e o ambiente tarifário global.
Em resumo, o panorama atual combina sinais de recuperação cíclica, com setores tradicionalmente sensíveis ao ciclo — como bancos e tecnologia — desempenhando papéis distintos: os bancos avançam com notícias específicas de reestruturação e regulação, enquanto as empresas de tecnologia capturam o apetite por inovação e semicondutores, fomentado por anúncios de operações corporativas e listagens.
Analistas apontam que a continuidade desse movimento dependerá tanto de confirmações sobre medidas regulatórias europeias quanto de desdobramentos internacionais, incluindo decisões judiciais e indicadores econômicos que possam alterar expectativas sobre crescimento e inflação.































