As principais praças acionárias da Europa fecharam em alta nesta sessão, impulsionadas por dados macroeconômicos favoráveis dos Estados Unidos e por um ar de menor tensão entre as margens do Atlântico. Em uma manhã de calibragem fina do mercado, Milão destacou-se como a melhor entre os grandes índices, encerrando em +1,36%, enquanto a maioria dos índices europeus anotou ganhos superiores a 1%, com exceção de Londres, que fechou praticamente estável, em +0,12%.
O movimento reflete a leitura mais técnica do investidor profissional: depois de revisar para cima o ritmo de expansão americano, o mercado encarou a notícia como uma confirmação de um motor da economia ainda potente, mas controlado. A segunda leitura do PIB dos EUA para o terceiro trimestre de 2025 foi ajustada para +4,4%, e o indicador de inflação preferido pelo FED, o PCE, também subiu, porém dentro das expectativas — uma combinação que sustenta apetite por risco sem alterar, por ora, a narrativa de calibragem de juros.
No front corporativo, a atenção de Wall Street já mira as próximas divulgações de resultados das gigantes da alta tecnologia e de inteligência artificial, programadas para a semana seguinte. Analistas enfatizam que não será só o topo da linha (receita) ou o lucro que dirão a direção dos papéis, mas sobretudo a disciplina financeira: quão sustentável é o ritmo de gastos dessas empresas e como isso afeta margens e fluxo de caixa.
Setorialmente, o único segmento que ficou em contramão foi o de defesa, que havia desfrutado de forte valorização nos dias anteriores, impulsionado por preocupações geopolíticas no Oriente Médio e por anúncios mais belicosos vindos da administração norte-americana. Em Piazza Affari, os destaques negativos foram Leonardo e Fincantieri, com este último sofrendo a maior queda do índice principal, -8,73%.
Outro movimento relevante foi a persistência da valorização do ouro, já negociado acima de 4.880 dólares a onça. Esse fluxo de capitais para o metal reforça a busca por proteção em um ambiente onde a liquidez global ainda procura pontos de equilíbrio.
O dia trouxe uma aceleração das tendências de risco, mas controlada — como um motor que ganha rotações sem exceder a zona critica. Para gestores e executivos, a leitura é clara: priorizar disciplina e previsibilidade financeira, enquanto se monitora a evolução dos indicadores macro e das próximas trimestrais do setor tecnológico.






















