Por Stella Ferrari — As bolsas europeias registraram mais uma sessão negativa, com Piazza Affari ampliando a sequência de perdas para a terceira sessão seguida e fechando em queda de 0,6%. No conjunto da semana, apenas Paris segue no campo positivo, numa exceção que evidencia divergências setoriais e geográficas entre os mercados do continente.
O dia começou com uma recuperação parcial dos papéis do setor de gestão de ativos que haviam despencado no pregão anterior, mas esse movimento não resistiu: após uma abertura fraca em Wall Street, as ações retornaram ao vermelho. A pressão veio principalmente de quedas entre os títulos de tecnologia dos EUA, que atuaram como um peso sobre os índices europeus e serviram de lembrete de que o “motor da economia” global continua sensível a choques de confiança.
No plano nacional, os holofotes em Milão estiveram sobre o desempenho de empresas industriais e de mobilidade. Iveco Group terminou em -0,37% depois de divulgar números para o ano que ficaram abaixo das estimativas do mercado para 2025, provocando revisões de expectativa por analistas. Em contrapartida, Fincantieri saltou cerca de 4% após a apresentação de um plano estratégico até 2030, sinalizando maior visibilidade de receitas e investimento em capacidade — um alento para quem busca sinais de aceleração nos setores de defesa e construção naval.
Stellantis voltou a apresentar recuperação, protagonizando um rali técnico que evidencia a sensibilidade do setor automotivo a notícias operacionais e à dinâmica cambial. A cada balanço e anúncio estratégico, a ação responde como um motor sendo recalibrado: ajustes finos na execução e na comunicação costumam traduzir-se em tração imediata no preço.
No front macro, os investidores mantêm atenção redobrada para o dado de inflação previsto para amanhã, que pode ser o gatilho para uma nova reavaliação das apostas sobre a trajetória de juros. A expectativa pela divulgação faz com que o mercado funcione como um túnel de vento, no qual qualquer nova informação pode acelerar tendências ou acionar freios fiscais.
Entre os fatores exógenos, o dólar seguiu em queda, cotado a 1,188 (referência indicada no fechamento), o que cria uma janela favorável para exportadores, mas também altera a competitividade setorial. Já o petróleo recuou para 68,3 dólares por barril, um preço que alivia custos para transportadoras e alguns players industriais, ao mesmo tempo em que reduz a pressão inflacionária global.
Em suma, o panorama atual exige atenção à calibragem de juros e à evolução dos dados macro nos próximos dias. Para investidores institucionais e gestores de portfólio, a recomendação é permanecer focado nas variáveis de lucro e fluxo de caixa, enquanto se monitora a volatilidade provocada por tecnologia e câmbio. A dinâmica de hoje confirma que, mesmo em mercados avançados, a aceleração de tendências pode ser tanto gradual quanto abrupta — como um motor que alterna entre marchas.






















