Sessão marcada pela volatilidade mas com viés positivo para as bolsas europeias, em reação ao sólido rali do setor tecnológico nos mercados asiáticos e na expectativa por sinais adicionais vindos dos Estados Unidos. O avanço chegou a ser mais acentuado no início do dia: Milão, que chegou a flertar com alta próxima de 2%, permanece com ganho expressivo de 0,94% no fechamento parcial.
Enquanto isso, os principais mercados do continente mostram leituras divergentes: Frankfurt registra uma correção mais pronunciada, Paris oscila pouco acima da linha de paridade e Londres ensaia movimento negativo. Esse comportamento ilustra a atual etapa do mercado, em que a calibragem de juros e as notícias corporativas funcionam como uma caixa de câmbio de forças, acelerando ou freando setores específicos.
No front doméstico de capitais, o segmento bancário de Piazza Affari brilha. Unicredit lidera as altas do índice principal, avançando 2,3% após melhoria de rating pela Standard & Poor’s, um sinal de menor prêmio de risco imediato. Logo atrás, Intesa Sanpaolo sobe 1,8% no dia seguinte à apresentação das projeções e resultados para 2025, reforçando a narrativa de resiliência do setor financeiro italiano.
O impulso vindo dos mercados asiáticos — centrado num forte rimbalzo entre os fabricantes de microchips — começa a perder intensidade ao longo da sessão europeia, mostrando que boa parte da reação foi um ajuste técnico em ativos de alta beta. Isso evidencia como o “motor da economia” pode mudar de marcha rapidamente quando se espera nova informação macro ou corporativa.
No mercado de metais preciosos, os movimentos foram mais contundentes. O ouro reagiu com vigor aos recentes recuos, registrando alta superior a 5,5% e aproximando-se da marca simbólica de 5.000 dólares por onça. Esse rali reflete fluxos de refúgio e repositionamento de portfólios diante da incerteza, ressaltando o papel do ouro como hambiente de proteção quando os freios fiscais e a política monetária geram ruído.
No mercado cambial, os ajustes foram mais moderados: o euro recuperou terreno frente ao dólar, novamente acima de 1,18, mas sem movimentos violentos. A estabilidade relativa das moedas acompanha a postura mais cautelosa dos investidores, que aguardam indicadores de atividade e possíveis sinais de mudança na calibragem de juros por parte dos bancos centrais.
Em resumo, a sessão europeia desenha-se como uma dança de curto prazo entre correções técnicas e leituras fundamentais: ganhos seletivos nos bancos italianos, arrefecimento do impulso tecnológico originado na Ásia, e um retorno forte dos metais preciosos. Para os gestores, a recomendação é manter a disciplina de alocação — calibrando posições como um motor bem ajustado, pronto para responder a aceleradas repentinas sem perder estabilidade.
Assinado,
Stella Ferrari
Economista sênior — Espresso Italia






















