As bolsas europeias mostraram movimentos contrastados nesta sessão, com operadores calibrando posições após um alívio nas tensões geopolíticas e notícias econômicas que mexem com o motor da economia do continente. A redução, por ora, dos receios sobre um ataque dos Estados Unidos ao Irã combinou-se com indicadores de crescimento que sugerem uma lenta recuperação: a Alemanha saiu da recessão e registrou expansão de 0,2% em 2025; o PIB do Reino Unido em novembro surpreendeu positivamente em +0,3%; e a produção industrial da área do euro subiu 0,7% no mesmo mês.
Apesar desses sinais favoráveis — que funcionam como uma leve aceleração de tendências para o ambiente macro — as praças financeiras do velho continente mantiveram-se cautelosas. Em termos práticos, Milan avançou 0,4% e Londres subiu 0,3%, enquanto Frankfurt, Paris e Madrid encerraram no vermelho.
Em Piazza Affari, o foco segue sobre o setor bancário depois da nota pública da Unicredit desmentindo interesse em adquirir participação no Monte dei Paschi di Mps. O papel da Unicredit subiu pouco mais de 1%, ao passo que as ações do banco senese recuaram em proporção semelhante. Entre os industriais, destacaram-se a alta de Tim e Prysmian, enquanto o setor de luxo e o setor energético pressionaram índices para baixo.
O afrouxamento das tensões geopolíticas teve impacto direto nos mercados de commodities. O petróleo registrou forte perda, recuando algo acima de 3%; o barril do crude americano esteve em torno de US$60. Em contraste, o gás natural avançou 3,7%, ultrapassando a marca de 33 € por MWh, refletindo a sensibilidade desse mercado a fatores logísticos e sazonais.
Do ponto de vista estratégico, a sessão evidencia como o mercado ainda opera numa fase de calibragem de riscos: notícias macroeconômicas positivas atuam como um ajuste fino no apetite por risco, enquanto choques de oferta e variações geopolíticas funcionam como freios ou aceleradores momentâneos. Para investidores, a leitura é clara — manter diversificação e atenção à volatilidade setorial continua sendo imperativo, sobretudo em bancos e energia.
Resumo rápido dos principais movimentos:
- Alemanha: crescimento de 0,2% em 2025, fim da recessão.
- Reino Unido: PIB de novembro em +0,3%, acima das expectativas.
- Produção industrial da área do euro: +0,7% em novembro.
- Milan +0,4%, Londres +0,3%; Frankfurt, Paris e Madrid em baixa.
- Unicredit nega interesse em Mps; papéis se movem em direções opostas.
- Petróleo: queda superior a 3%, crude americano ~US$60/barril.
- Gás: alta de 3,7%, acima de 33 €/MWh.
Em resumo, a sessão foi de atenção e seleção: notícias macro positivas sustentam um viés construtivo, mas riscos geopolíticos e movimentos em commodities mantêm a necessidade de gestão ativa das posições. Como estrategista, recomendo observar particularmente os balanços de bancos e as sinalizações sobre oferta de energia, que podem redefinir a trajetória dos mercados em curto prazo — é uma questão de ajustar a calibragem de juros e o portfólio conforme o cenário evolui.






















