As praças financeiras da Europa abriram em terreno positivo na primeira sessão após a **operação militar dos Estados Unidos na Venezuela**, que culminou com a detenção do presidente Nicolás Maduro. O otimismo inicial do mercado reflete uma reconfiguração imediata do risco geopolítico e a avaliação dos investidores sobre impactos econômicos e energéticos.
Em Milão, o índice avançou cerca de 0,7%, com Londres, Frankfurt e Paris acompanhando o movimento em linha com esse viés positivo. A leitura dos mercados indica que os participantes estão calibrando posições — como se ajustassem a um motor que precisa ser religado após uma intervenção brusca —, privilegiando ativos sensíveis à normalização política e aos fluxos de comércio e energia.
Na Ásia, o quadro foi misto. Tóquio se destacou: o Nikkei subiu mais de 3%, impulsionado por ganhos nos papéis de tecnologia. Xangai registrou alta próxima a 1,5%, enquanto Hong Kong se manteve em torno da paridade. Esse desempenho reflete uma combinação de fatores locais e o repasse das expectativas sobre oferta de commodities e sentimento de risco global.
O preço do petróleo recebeu atenção especial — não por alta, mas por leve recuo. O WTI caiu para US$56,96 por barril e o Brent, referência para a Europa, fixou-se em US$60,44 por barril, ambos com baixa em torno de um ponto percentual. A leitura técnica sugere que, apesar do choque geopolítico, o mercado de petróleo precifica imediatamente não apenas a incerteza sobre oferta venezuelana, mas também expectativas sobre possíveis ações estratégicas de playeres externos; o próprio presidente dos EUA, Trump, afirmou disposição em aproveitar a situação petrolífera do país andino.
Como é típico em episódios de tensão, os ativos considerados de refúgio ampliaram ganhos. O ouro avançou mais de 2%, enquanto a prata registrou alta próxima a 6%. Esses movimentos são síntese da busca por proteção diante de volatilidade e de uma possível reprecificação de riscos sistêmicos.
Do ponto de vista macro e estratégico, essa manhã ilustra a necessidade de calibragem fina entre política e mercados: intervenções geopolíticas funcionam como mudança de marcha no motor da economia global — às vezes acelerando tendências, outras impondo freios fiscais e monetários. Para investidores e conselheiros de patrimônio, a recomendação é monitorar liquidez, exposição a energia e sensibilidade a riscos políticos, mantendo disciplina de alocação diante da volatilidade.
— Stella Ferrari, Economista Sênior, La Via Italia































