As Bolsas europeias permanecem positivas ao meio da sessão, em um movimento que reflete a leitura do mercado após a decisão do Federal Reserve e o foco renovado nas trimestrais das empresas. Em um cenário em que a calibragem de juros continua a ser o motor das expectativas, os investidores monitoram resultados e sinais sobre investimentos futuros.
Milão avança cerca de 0,52%, acompanhada por variações similares em Paris. Em contrapartida, Frankfurt segue em tendência oposta, com recuo próximo a 1%. O principal fator de pressão na praça alemã foi a forte queda das ações da SAP, especializada em serviços informáticos e cloud: mesmo apresentando resultados positivos, as cifras ficaram aquém das expectativas dos analistas e, em um momento de elevada sensibilidade em torno do setor de tecnologia, isso foi suficiente para derrubar o papel em mais de 14%.
Nos Estados Unidos, as leituras pré-abertura também influenciam o tom global. A Microsoft, que reportou resultados nesta janela, perde quase 7% em pré-market — apesar de lucros sólidos — em razão do aumento expressivo nas despesas de investimento, que acende alertas entre analistas sobre o ritmo de alocação de capital. Em contraste, a Meta ensaia valorização em pré-market, ao projetar aumento de lucros impulsionado principalmente pela sua divisão de inteligência artificial (IA).
Enquanto isso, continua sem trégua a escalada do preço do ouro, que hoje toca e ultrapassa a marca de US$5.500 por onça. Esse movimento traduz um apetite por ativos considerados refúgios em um contexto de incertezas e recalibragem de risco: o metal precioso atua como o sistema de frenagem nas carteiras quando a volatilidade ou as dúvidas sobre a trajetória de crescimento ganham potência.
Do ponto de vista macro, o panorama sugere uma combinação de fatores: a decisão do Fed orienta a trajetória dos custos de capital — a verdadeira transmissão que move o motor da economia — enquanto os balanços corporativos revelam a velocidade das empresas em transformar investimentos em crescimento sustentável. Investidores e gestores de portfólio, portanto, mantêm uma postura seletiva, favorecendo empresas com execução robusta e balanços capazes de suportar elevados níveis de investimento.
Em suma, a sessão europeia revela um mercado em busca de direção: ganhos modestos em centros como Milão e Paris, pressões pontuais em Frankfurt por questões de expectativas, e movimentos substanciais em ativos como o ouro. A aceleração de tendências no setor de tecnologia e a intensidade dos investimentos corporativos serão, nas próximas semanas, os elementos a monitorar com maior atenção.
Stella Ferrari — Economista sênior, Espresso Italia






















