Por Stella Ferrari — As bolsas europeias abriram em baixa e com movimento contido após a sessão positiva de ontem, refletindo uma precaução amplificada entre investidores enquanto aguardam a decisão do banco central norte-americano. Em Milão o índice iniciou o pregão em torno de -0,1%, enquanto Paris liderou as perdas com -0,8%, pressionada pelo setor do luxo.
O principal catalisador do dia é a reunião da Fed, cuja decisão de política monetária será divulgada à noite. Após três cortes consecutivos, o consenso de mercado aponta que os taxas desta vez devem permanecer estáveis — uma pausa que o mercado interpreta como calibragem fina, mais de manutenção do que de aceleração do ciclo. Essa expectativa age como um freio temporário sobre o apetite por risco.
No front corporativo, a queda em Paris foi intensificada pelo tombo da LVMH, que recuou cerca de 7% depois de reportar números trimestrais abaixo das projeções. Em Milão, o segmento do luxo também sofreu: Moncler e Brunello Cucinelli figuraram entre os piores desempenhos da sessão, sinalizando uma reavaliação do prêmio de crescimento para marcas de alta gama.
As atenções também se voltam às grandes tecnológicas americanas: estão previstas para divulgação nesta janela os resultados de Meta, Microsoft e Tesla. As trimestrais dessas gigantes têm potencial para gerar volatilidade global, atuando como variáveis de alto impacto na dinâmica entre risco e retorno.
Em Roma, a praça financeira permanece atenta ao setor bancário. O foco recai sobre Mps e Mediobanca, após reportagens que indicam pressão do BCE no sentido de promover o delisting de Piazzetta Cuccia, recusando propostas de restauração do free float. No conselho de administração do Mps está em pauta a decisão sobre a participação de Lovaglio na votação relativa à lista do conselho cessante — uma movimentação que pode redesenhar a governança e alterar percepções de risco país para os investidores.
No mercado de câmbio, o dólar segue em trajetória de enfraquecimento frente ao euro, cotado próximo de 1,20. A volatilidade cambial é acompanhada com interesse: do ponto de vista macro, um dólar mais fraco pode ser interpretado como alívio para fluxos de capitais em moeda europeia, mas implica recalibragem nas projeções de lucros para empresas exportadoras e multinacionais. O ex-presidente Trump comentou que um dólar menos valorizado seria algo positivo, observação que turva menos as análises técnicas do que os debates políticos sobre competitividade.
Em suma, o mercado opera hoje como um motor com marcha reduzida: há força acumulada, mas a direção só estará clara após a calibragem política da Fed e os sinais corporativos das grandes trimestrais. Para investidores institucionais e family offices, a recomendação é monitorar liquidez e volatilidade de setores sensíveis a taxas e câmbio, mantendo disciplina nos níveis de stop e revisando alocações em ativos de luxo e bancos com gatilhos regulatórios iminentes.
Como estrategista, vejo este momento como uma fase de ajuste fino — mais engenharia de políticas do que mudanças de design estrutural. A capacidade de identificar pontos de entrada em empresas resilientes enquanto o mercado recalibra sua velocidade será determinante para a performance no próximo trimestre.






















