Assinatura: Stella Ferrari — Economia e Desenvolvimento
As Bolsas europeias encerraram a sessão em recuperação parcial face aos mínimos do dia, mas, na soma, quase todas terminaram no vermelho no fechamento da semana. O mercado mostra sinais de volatilidade, com movimentos que exigem mais do que simples ajustes táticos: tratam-se de recalibragens no motor da economia europeu.
No centro do palco, Milão registrou o pior desempenho do dia, recuando -0,58%, pressionada por quedas acentuadas em várias ações dos setores bancário e seguros. O resultado deixa Milão também como a praça mais penalizada no balanço semanal, com perda acumulada de -2,2%.
Paralelamente, Paris e Londres fecharam com perdas bem mais contidas, ambas abaixo de um décimo de ponto percentual, enquanto Frankfurt obteve leve alta de +0,18%. Esse contraste revela uma dispersão de retorno entre centros financeiros — um sinal de que o risco setorial ainda tem mais influência que fatores macro uniformes.
Do outro lado do Atlântico, Wall Street mostrou desempenho dividido: o Dow Jones terminou em queda, enquanto o Nasdaq avançou cerca de meio ponto percentual. A resistência do índice tecnológico ocorreu apesar do forte tombo de um gigante do chip: Intel.
A ação da Intel despencou quase 16% após divulgar resultados para 2025 abaixo das expectativas, com um quarto trimestre em perda e uma incapacidade de suprir a demanda por chips avançados para inteligência artificial. Esse deslize elevou o nervosismo entre investidores e ajustou as expectativas para os próximos balanços do setor high tech, previstos para a próxima semana.
O episódio da Intel funciona como um freio súbito em uma trajetória que vinha baseando-se na aceleração dos investimentos em semicondutores; é um lembrete de que a trajetória de ganhos pode enfrentar rupturas quando a cadeia de oferta e a demanda avançada não se alinham.
No mercado de commodities, o destaque foi para o ouro, cujo preço continuou sua trajetória de alta, superando hoje a faixa dos 4.900 dólares por onça. Esse movimento reflete aversão ao risco e procura por ativos de proteção em um ambiente de incerteza sobre lucros corporativos e orientações futuras de política monetária.
Para gestores e estrategistas, a lição imediata é manter a atenção na calibragem de juros e nos resultados corporativos do setor tecnológico — elementos que agirão como indicadores cruciais para a próxima fase de ajuste de portfólios. Em termos práticos, é momento de revisar alocações, avaliar liquidez e reavaliar exposição a ciclos sensíveis a chips e à confiança bancária.
Em suma, a sessão fecha com panoramas regionalmente variados: Europa em sua maioria negativa, Wall Street dividida, Intel como gatilho de preocupação no universo tech e o ouro como porto seguro em alta. A economia segue operando como uma máquina de precisão, onde pequenas falhas em componentes-chave podem exigir uma nova engenharia de políticas e estratégias.






















