Por Stella Ferrari — As praças financeiras europeias abriram em **cauto** ganho após a decisão da Federal Reserve de manter as taxas estáveis. O sinal, já parcialmente precificado pelos mercados, ganhou contornos de prudência nas declarações do presidente Powell, que deixou claro que o banco central americano aguardará sinais mais robustos de queda da inflação antes de promover novos cortes nas taxas de juros. Em termos de imagem: foi uma calibragem de políticas com freio seletivo, não uma liberação total do motor da economia.
O efeito imediato nas bolsas europeias foi de leve otimismo, mas sem aceleração convincente. Em Milão, o índice avançou pouco mais de meio ponto percentual; Paris mostrou desempenho mais brilhante depois de ter sido a pior ontem; já Frankfurt seguiu em contramão, recuando cerca de 0,6%.
Na Ásia, a cautela predominou — as principais praças operaram ligeiramente acima da paridade, com exceção de Seul, que subiu quase 1%, impulsionada pelos resultados robustos da Samsung. Essa leitura confirma que, num cenário onde o capital busca rendimento, os balanços corporativos continuam a ser a gasolina que define a marcha de curto prazo.
O foco do mercado permanece sobre o high‑tech. Na Europa, os números decepcionantes da StMicroelectronics, que reportou lucros reduzidos para pouco mais de 180 milhões de euros, trouxeram volatilidade para o setor; nos Estados Unidos, as trimestrais das grandes de tecnologia têm fornecido diretrizes opostas: Meta foi premiada pelo mercado ao projetar recuperação de margens, especialmente no segmento de inteligência artificial; Microsoft, por sua vez, sofreu penalização por custos elevados em investimentos que ainda não oferecem retorno claro. É uma disputa entre empenho em inovação e necessidade de retorno sobre o capital — essencialmente a tensão entre acelerar tendências e manter a eficiência do motor financeiro.
No câmbio, o dólar permaneceu fraco, apesar da tentativa do secretário do Tesouro, Bessent, em desmentir que a administração americana busque uma estratégia de desvalorização competitiva. Segundo ele, a política oficial favorece um dólar forte. O euro avançou na manhã e alcançou 1,1980, refletindo a menor pressão sobre a moeda única e a busca por alternativas ao dólar em épocas de incerteza sobre o rumo dos cortes de juros.
Em resumo, o mercado opera num modo de performance calibrada: há impulso, mas os investidores mantêm o pé no freio enquanto aguardam sinais mais claros sobre inflação e resultados corporativos. Para gestores e estrategistas, a lição é clara — ajustar alocações considerando a volatilidade do high‑tech e a persistente sensibilidade às comunicações do banco central. A economia global segue como um motor complexo: pequenas alterações na calibragem das políticas monetárias e nos balanços corporativos podem redefinir a trajetória de curto prazo.
Como economista e observadora dos circuitos de capital, recomendo atenção redobrada aos lucros das grandes de tecnologia e às próximas comunicações da Federal Reserve: são elas que, neste momento, vão ditar a próxima marcha do mercado.






















