Após uma sessão apática ontem, as bolsas europeias recuperaram o ímpeto e fecharam em terreno positivo, ampliando ganhos após a abertura de Wall Street. A praça de Milão destacou-se, fechando em +1,11%, ficando atrás apenas de Londres, que rondou +1,2%. Frankfurt avançou +0,76% e Paris +0,47%.
Essa tendência impulsionou o índice paneuropeu Eurostoxx até máximos históricos, acima dos 663 pontos, com alta de 0,69% na sessão. No mercado italiano, o setor bancário teve um forte rali, revertendo as perdas do dia anterior: no principal índice, Mediobanca e Monte dei Paschi lideraram, subindo mais de 4%.
Por outro lado, nomes industriais e de consumo apresentaram desempenho menos favorável. Leonardo sofreu com os números e, sobretudo, com um plano industrial que não dissipou as dúvidas dos analistas. Campari foi a pior do FTSE MIB, despencando 5,02%, penalizada pelos resultados muito negativos do líder setorial, a britânica Diageo.
Do outro lado do Atlântico, Wall Street operou em território positivo, com destaque para o Nasdaq, que ganhou mais de 1%. O mercado acumula atenção para os resultados da Nvidia, previstos para sair hoje à noite, após o fechamento das negociações — dados que podem redefinir a aceleração das tendências tecnológicas e influenciar a abertura de amanhã.
O discurso sobre o estado da união do presidente Trump teve impacto limitado nos mercados; por ora, não surgiram novos estímulos palpáveis. No quadro macro, a leitura que faço é de uma calibragem de risco em curso: os investidores reapertam o passo nos setores cíclicos, mas exigem sinais concretos de execução em planos industriais e de margens.
Analiticamente, vemos o setor financeiro funcionando como o motor da economia nesta sessão — não por acaso o seu rali devolve liquidez ao mercado e empurra índices como o Eurostoxx a patamares recorde. Ainda assim, a volatilidade em nomes sensíveis aos resultados corporativos indica que a aceleração observada pode ser seletiva e dependente da atualização das projeções de lucros.
Para investidores institucionais e family offices, a lição é clara: a calibragem de juros e a avaliação de qualidade de balanço bancário voltam a ser prioridade. Em termos de política econômica, a ausência de estímulos claros do discurso presidencial norte-americano significa que os mercados seguem mais guiados por fundamentos corporativos do que por impulso político imediato.
Em suma, a sessão de hoje revela um mercado com freio e acelerador finamente ajustados: há impulso nos bancos e nos índices paneuropeus, mas a confirmação de uma trajetória sustentável depende dos números que chegam à mesa — a começar pela Nvidia e pelos balanços setoriais que ainda serão divulgados.






















