Por Stella Ferrari — Cenário de cautela nos mercados europeus, onde a sessão registrou movimentos tímidos ao longo do dia e uma pressão final que deixou poucas praças em terreno positivo. A leitura da sessão confirma que o motor da economia está sendo recalibrado diante do novo capítulo das tarifas dos EUA e do nervosismo sobre a tecnologia de ponta.
Ao final do pregão, apenas Paris resistiu em alta, com +0,26%. Londres e Frankfurt recuaram ligeiramente, ficando pouco abaixo da paridade, enquanto Milão foi a praça mais penalizada, entregando -0,1%. A diferença de desempenho evidencia uma sessão de ajuste fino, onde investidores testam sinais e reavaliam posições antes de eventos-chave.
O fator local mais contundente foi o desempenho do setor financeiro. O segmento bancário, que compõe parcela substancial do principal índice italiano, sofreu perdas significativas: Bper e Popolare di Sondrio caíram mais de 2,5%, enquanto BPM e Monte dei Paschi recuaram cerca de 2%. Esses movimentos agem como freios fiscais sobre o índice doméstico, pressionando Piazza Affari a um comportamento mais contido.
No Atlântico, Wall Street começou o dia com hesitação, mas ganhou tração nas negociações seguintes: o Dow Jones avançou +0,6% e o Nasdaq +0,8%. O ímpeto positivo foi impulsionado pelo salto de AMD, que subiu 6,7% após anunciar um acordo de grande porte com a Meta. A notícia ressalta a sensibilidade dos mercados a contratos estratégicos no ecossistema de semicondutores.
Permanece, porém, o pano de fundo de apreensão em torno da inteligência artificial. O mercado está em guarda pela divulgação dos resultados da Nvidia, prevista para amanhã — evento que pode redefinir expectativas para todo o setor de chips e reprogramar o ritmo dos fluxos de capital. Em termos de calibragem de juros e apetite por risco, esse relatório atua como uma caixa de engrenagens crítica.
Como estrategista, vejo essa sessão como uma etapa de teste: investidores conduzem uma verificação de sistemas, avaliando vulnerabilidades e oportunidades. A combinação entre a pressão sobre os bancos italianos e o impulso nos nomes de tecnologia nos EUA ilustra uma economia com múltiplos modos de aceleração, que respondem de forma desigual a choques externos, em especial às mudanças nas políticas comerciais americanas.
Conclusão: a bolsa europeia opera em modo de espera, com seletividade setorial. Enquanto os bancos pressionam índices domésticos, ganhos pontuais em tecnologia mantêm o apetite por risco nos EUA. A publicação dos resultados da Nvidia será a próxima curva a ser contornada — e pode determinar a velocidade e a direção do mercado nas próximas sessões.






















