As principais bolsas europeias operaram majoritariamente em alta na sessão marcada pela assinatura do acordo comercial entre UE e Índia, sinalizando uma calibragem positiva no cenário de comércio internacional. Apenas a praça de Frankfurt apresentou leve movimento abaixo da paridade, destacando uma divergência pontual entre centros financeiros.
Em um mercado que busca ritmo e tração — como um motor que precisa de afinação para entregar performance consistente — o setor automotivo ficou em evidência após a divulgação dos números de vendas. No conjunto da União Europeia, as imatriculações de veículos cresceram 1,8% no último ano, mas, como salientei, os volumes ainda permanecem aquém dos níveis pré-pandemia, o que exige uma leitura cuidadosa sobre recuperação estrutural versus oscilações cíclicas.
Dentro desse contexto, a montadora Stellantis registrou uma queda de vendas de 3,9%, reflexo de uma demanda que não acelerou conforme esperavam os mercados. Na Piazza Affari, o papel cedeu aproximadamente um ponto percentual, pressionando o setor automotivo italiano em um pregão que privilegiou liquidez e avaliação de governança.
Fora do índice principal, a fabricante de pneus Pirelli recuou cerca de 1%. O motivo não foi técnico-operacional, mas sim um tema de governança: atritos entre os acionistas italianos e chineses geraram incerteza sobre a direção estratégica e a composição do board, acionando volatilidade; uma demonstração clara de que a governança é parte do design de políticas corporativas que impulsionam valor para o acionista.
Paralelamente, os mercados de metais preciosos consolidaram uma trajetória de alta. O ouro firmou-se acima de 5.000 dólares por onça e a prata superou 100 dólares por onça — ambas em máximas históricas. Esse movimento aponta para um fluxo de capital em direção a ativos de refúgio, numa leitura onde riscos geopolíticos e pressões inflacionárias afetam a alocação global.
Do ponto de vista macro, o dia traduz um jogo de forças: um impulso comercial positivo com o acordo UE-Índia que pode servir como catalisador para cadeias de suprimento e exportações, versus ruídos específicos de empresas que lembram a necessidade de disciplina na governança e vigilância sobre a recuperação de demanda. Em termos práticos, investidores institucionais e gestores de portfólio devem observar tanto a aceleração de tendências globais quanto os pequenos freios setoriais que emergem em praças locais.
Concluo que, enquanto a assinatura do acordo abre pistas para uma nova marcha de integração comercial, a leitura fina dos balanços setoriais e dos conflitos acionários continuará a determinar a trajetória dos índices. A harmonização entre estratégia macro e execução corporativa seguirá sendo o diferencial para quem busca performance sustentável.






















