As bolsas europeias seguem em terreno positivo na sessão, com dinâmica heterogênea entre os principais centros financeiros. Milão registra alta em torno de 0,3%, enquanto Londres opera de forma mais cautelosa. Paris apresenta ganhos consistentes e Frankfurt lidera as altas, subindo acima de um ponto percentual — um claro sinal de aceleração de tendências no mercado continental.
No Piazza Affari, destaque para Fincantieri, que atrai compras após a divulgação dos resultados de 2025. A leitura dos números impulsionou a ação, refletindo confiança dos investidores sobre a execução de projetos e a qualidade do backlog. Em paralelo, os papéis de gestão de ativos (asset management) registram um rali de recuperação depois dos fortes recuos vividos ontem, mostrando que parte do movimento corretivo já foi absorvida pelo mercado.
Iveco permanece pouco movimentada, na esteira de resultados que ficaram abaixo das expectativas — um lembrete de que a calibragem de performance operacional ainda é necessária para restaurar o ímpeto. Por outro lado, os títulos do setor energético passam por um dia difícil: A2A e Enel estão na lanterna do índice principal, com perdas superiores a 4%. A pressão vem da hipótese de que o governo incluirá, no próximo decreto, medidas para redução das contas de energia em favor de empresas e famílias de baixa renda — um possível freio nas margens das concessionárias que os mercados já precificam.
No mercado de commodities, o Brent retorna ligeiramente abaixo da casa dos US$ 70 por barril, após ter alcançado ontem patamares similares aos observados no final de janeiro. Essa estabilização sugere uma leitura cautelosa do equilíbrio entre oferta e demanda, enquanto eventos geopolíticos permanecem no radar.
Em criptoativos, o Bitcoin segue em tendência negativa: está firmemente abaixo de US$ 70.000 e acumula uma queda superior a 25% no último mês. Para estrategistas e gestores, essa volatilidade reforça a necessidade de gestão rigorosa de risco e de diversificação de portfólios.
Como economista e estrategista, vejo essa sessão como uma sessão de ajuste fino no motor da economia financeira: alguns pistões — temsilizados por bancos, industriais e construtechs — ganham torque, enquanto outros, especialmente as utilities, sentem a pressão dos freios regulatórios. A chave para investidores institucionais e family offices é manter a disciplina de alocação, calibrar exposição a setores sensíveis a políticas públicas e aproveitar oportunidades em nomes que apresentaram resultados robustos mas que ainda não recuperaram totalmente o preço.
Em suma, o pregão europeu exibe força seletiva: Milão brilha com Fincantieri, a recuperação dos gestores de ativos sinaliza recomposição de risco, e as energéticas pagam o prêmio da incerteza política. A leitura do dia merece atenção ao fluxo de notícias sobre o decreto governamental e aos próximos dados de demanda por petróleo e sinais de alocação em criptoativos.





















