Por Stella Ferrari — As principais bolsas europeias encerraram a sessão desta quarta-feira em forte alta, com Milão e Londres liderando os ganhos, ambas avançando cerca de 1,30%. O movimento reflete uma combinação de dados macroeconômicos, reprecificação de ativos e fatores geopolíticos que atuaram como verdadeira calibragem de desempenho do mercado.
Em Londres, a reação positiva foi parcialmente sustentada pela desaceleração da inflação no mês de janeiro — a leitura caiu de 3,4% para 3,0%, abaixo do consenso. Esse alívio influenciou o apetite por risco e favoreceu recompras em setores sensíveis a custos de capital. Em Frankfurt o índice subiu 1,1%, enquanto Paris avançou 0,8%.
No pregão italiano, o destaque foi a Mediobanca, que saltou 5,7% após o anúncio de que o conselho do Monte dei Paschi di Siena aprovou a integração total via fusão por incorporação, operação que culminará no de-listing da entidade milanesa. A decisão reorganiza o tabuleiro bancário italiano e altera o perfil de governança e capital, um movimento que os investidores interpretaram como amadurecimento estratégico — uma espécie de redimensionamento do motor financeiro do país.
Também se destacaram os ganhos de Leonardo (+4,6%) e STMicroelectronics (+3,8%), enquanto as maiores quedas foram registradas por Ferrari (-2,5%) e Telecom (-1,6%). Esse jogo de setores evidencia uma rotação seletiva onde defesa, tecnologia e indústria pesada foram favorecidas, ao passo que títulos ligados a luxo e telecomunicações cederam margem.
No exterior, os Estados Unidos também operaram em terreno positivo: o Dow Jones subiu cerca de 0,5% e o Nasdaq avançou 1,3%, sustentados por expectativas de lucros e por um clima global menos adverso ao risco.
Um ponto de atenção foi o forte aumento no preço do petróleo, com alta pronunciada de 3% tanto para o WTI americano, negociado a aproximadamente 64,4 dólares por barril, quanto para o Brent, em torno de 69,6 dólares. A elevação do preço do petróleo funciona como um ajuste nos vetores de inflação e saldo externo, e foi impulsionada por renovadas tensões diplomáticas e negociações envolvendo o Irã. Investidores monitoram de perto os diálogos internacionais, que podem acionar novos ciclos de volatilidade.
Em termos estratégicos, a sessão mostrou como diferentes engrenagens do mercado — política monetária, notícias corporativas e eventos geopolíticos — interagem como um sistema de precisão: algumas componentes aceleram, outras aplicam freios, e os gestores calibram posições para manter a performance. Para o investidor institucional e privado, a lição é clara: diversificação e gerenciamento dinâmico de risco continuam sendo o design de políticas mais eficaz para navegar estas marés.
Encerramos com uma nota prática: mantenha atenção sobre os desdobramentos da fusão entre Mediobanca e Monte dei Paschi di Siena, bem como sobre as negociações envolvendo o Irã, pois ambos têm potencial para redesenhar fluxos de capitais e a performance setorial nos próximos trimestres.






















