No cenário de mercado desta sessão, as tensões com o Irã e o atrito verbal entre Trump e o Federal Reserve funcionaram como catalisadores de volatilidade, com resultados divergentes entre as praças financeiras. A Bolsa de Milão avançou 0,27%, enquanto Londres registrou alta de 0,46%. Em compensação, Frankfurt recuou 0,53% e Paris fechou em baixa de 0,19%.
Do outro lado do Atlântico, Wall Street apresentou evolução mais desfavorável: o índice Nasdaq caiu 1,3%, pressionado pelo recuo dos papéis de tecnologia, e o S&P500 cedeu 0,70%. Parte do sentimento reflexo decorre da abertura da temporada de resultados trimestrais, tradicionalmente inaugurada pelos grandes bancos americanos.
No campo dos balanços, o ritmo não ajudou a confiança dos investidores: a Wells Fargo divulgou receitas no quarto trimestre de 2025 aquém das expectativas, com impacto negativo imediato; Bank of America também registrou números em queda, ampliando a pressão sobre o setor financeiro e funcionando como freio para o apetite por risco.
Enquanto isso, os mercados de matérias-primas exibiram aceleração: o petróleo manteve-se em patamar elevado diante das tensões geopolíticas — o Brent chegou a tocar 66 dólares por barril antes de recuar ligeiramente. Simultaneamente, os metais preciosos seguem como porto seguro: o ouro permanece firmemente acima de 4.600 dólares por onça, e a prata ultrapassou recentemente a marca histórica de 90 dólares, acumulando uma valorização de aproximadamente 206% no último ano.
No âmbito doméstico e setorial, alguns papeis se destacaram: Telecom subiu 4,6% e Prysmian ganhou 3,45%, enquanto Cucinelli registrou recuo de 3,3% e Banco BPM caiu 2,4%. Essas movimentações ilustram a calibragem fina que os investidores fazem entre exposição a crescimento e proteção patrimonial — como se o portfólio fosse um motor em busca do ponto ótimo entre torque e eficiência.
Minha leitura técnica e estratégica: estamos vendo uma combinação de fatores que alimenta a coexistência de tendências opostas. As tensões geopolíticas estimulam compras em ativos de segurança, acelerando ouro, prata e petróleo, ao passo que as incertezas sobre política monetária e resultados corporativos limitam a disposição para risco e esfriam os índices acionários mais expostos. É uma recalibração — um ajuste fino do ‘design de políticas’ e das expectativas de ganhos — que exige disciplina de alocação por parte de gestores e investidores de alta performance.
Em resumo, o dia expôs a economia como um mecanismo complexo: alguns cilindros (commodities e metais) ganharam compressão e potência, enquanto outros (bolsas de tecnologia e bancos) sofreram com perda de eficiência. A chave para navegar esse trecho do ciclo é manter a estratégia alinhada à gestão de riscos e à visão macro, priorizando ativos que combinem proteção e oportunidades de valorização.






















