Por Stella Ferrari — A presença do BlackRock na cena econômica italiana é tão discreta quanto poderosa: trata-se do maior gestor de ativos do mundo, administrando cerca de 12,53 trilhões de dólares em patrimônio — mais de 10.000 bilhões de euros, aproximadamente cinco vezes o Produto Interno Bruto da Itália. Quando avaliamos esse porte, percebemos que o fundo opera como um motor de grande torque no mercado global, com influência que alcança desde bancos até empresas de defesa e telecomunicações.
O BlackRock chegou à Europa no ano 2000, abrindo seu primeiro escritório em Milão. Desde então, consolidou-se como um dos investidores institucionais mais relevantes no país. Em 2023, o grupo organizou a sua operação regional do Sul da Europa — o cluster “Southern Europe” — reunindo Itália, Espanha, Portugal, Grécia e Israel, sob a liderança do italiano Giovanni Sandri. Fontes como a Reuters estimavam que esse perímetro já valia cerca de 200 bilhões de dólares em 2023, com quase metade atribuível à Itália.
O modelo de negócios do BlackRock baseia-se essencialmente em taxas de gestão proporcionais aos ativos sob administração e à complexidade dos produtos oferecidos. No próprio site do gestor, a empresa descreve sua missão como a de ajudar clientes a poupar para aposentadoria, educação, residência e para abrir negócios — ou seja, administrar recursos de milhões de poupadores globalmente.
No contexto italiano, isso significa que o BlackRock está frequentemente entre os maiores acionistas em bancos, empresas estatais e grupos industriais. Em várias companhias, o percentual recorrente é a casa dos 5%, cifra que em muitos casos o posiciona como primeiro ou segundo investidor. Essa presença se faz sentir na Borsa di Milano, onde nenhuma outra gestora detém, por valor, tantas posições em ações quanto o colosso norte-americano.

O encontro entre a primeira-ministra Giorgia Meloni e o CEO do BlackRock, Larry Fink, no Palazzo Chigi, simboliza a relevância do relacionamento entre grandes gestores de ativos e governos nacionais. Para um gestor de poupanças, um país com um elevado stock de patrimônio privado — a Itália registra mais de 11.000 bilhões de euros em riqueza das famílias — representa um terreno estratégico para alocação de capital.
Em números mais domésticos, o BlackRock operava na Itália há 25 anos e, em 2023, já administrava cerca de 100 bilhões de euros no país. Vale ressaltar que os dados oficiais por país são limitados, mas a lógica é clara: a crescente dimensão do fundo — que subiu de 10,5 trilhões no começo de 2024 para os atuais 12,53 trilhões — traduz uma aceleração de presença e de influência no mercado europeu e italiano.
Do ponto de vista estratégico, a atuação do BlackRock funciona como uma calibragem fina do sistema financeiro: suas decisões de investimento impactam movimento de capitais, governança corporativa e até a capacidade de financiamento de setores estratégicos. Para gestores públicos e privados, compreender essa dinâmica é essencial — como entender o desenho de uma suspensão sofisticada em um carro de alta performance, onde pequenos ajustes mudam radicalmente o comportamento em pista.
Em suma, o BlackRock não está “comprando a Itália” no sentido simplista do termo, mas sua presença em participações relevantes e em setores sensíveis lhe confere influência substancial. Governos, grandes empresas e investidores institucionais observam atentamente para equilibrar os interesses nacionais com a necessidade de capital, eficiência de mercado e governança moderna.































