Como a maior gestora de ativos do mundo fortalece sua presença na Itália e impulsiona setores estratégicos da economia europeia. Sem paralelo no setor, BlackRock consolidou-se como a maior gestora de ativos do planeta, administrando cerca de 12,5 trilhões de dólares mais de 10.000 bilhões de euros, aproximadamente cinco vezes o Produto Interno Bruto da Itália. Nos últimos anos, o fundo ampliou sua presença na Europa e tem concentrações significativas de investimentos justamente em território italiano. A BlackRock amplia investimentos na Itália, mirando infraestrutura, energia e mercado financeiro, reforçando sua estratégia de crescimento na Europa.
Na Borsa Italiana, nenhum outro ator privado aparece com o mesmo peso em participação acionária. Bancos, empresas estatais, indústrias de defesa e grupos de telecomunicações figuram entre os alvos recorrentes: em muitos desses papéis, a BlackRock está entre os maiores acionistas.
O papel da gestora atraiu atenção política: a primeira-ministra Giorgia Meloni chegou a receber, em Palazzo Chigi, o CEO da empresa, Larry Fink. Para uma companhia cuja atividade central é gerir poupanças, a Itália representa um terreno férti as famílias italianas detêm um patrimônio financeiro estimado em torno de 11.000 bilhões de euros.
Os números ilustram a magnitude. Em 2025 a BlackRock reportou 12,53 trilhões de dólares sob gestão, superando os 10,5 trilhões do começo de 2024 um crescimento que, segundo o próprio CEO, marca um novo estágio de expansão: “Entramos em 2025 no nosso ponto de virada mais forte e vejo oportunidades futuras para a BlackRock, nossos clientes e acionistas como nunca antes”, declarou Larry Fink.
Presente na Europa desde 2000, a empresa abriu seu primeiro escritório em Milão e, ao longo de 25 anos de atuação no país, consolidou sua operação. Em 2023, a gestão reorganizou sua área regional reunindo Itália, Espanha, Portugal, Grécia e Israel sob o cluster Southern Europe, liderado por um executivo italiano, Giovanni Sandri. Fontes da Reuters indicaram que esse perímetro valia, já em 2023, cerca de 200 bilhões de dólares, com aproximadamente metade desse montante vinculada à Itália.
O modelo de negócio da gestora se apoia majoritariamente em comissões de administração, calculadas sobre os ativos e os tipos de produtos oferecidos. A empresa se descreve em seu site como uma facilitadora dos objetivos financeiros de indivíduos e instituições: “Ajudamos nossos clientes — e as pessoas que dependem deles — a poupar para a aposentadoria, financiar a educação, comprar uma casa ou iniciar um negócio.”
No entanto, a dimensão dos recursos geridos levanta debates sobre concentração de poder econômico e exposição estratégica de setores considerados sensíveis. Em contextos onde participações estrangeiras atingem fatias relevantes do capital de instituições financeiras e industriais, cresce a atenção de reguladores, do mundo político e de analistas do mercado.
Especialistas consideram que a presença intensa de uma gestora global como a BlackRock representa tanto uma oportunidade de fluxo de capitais e profissionalização de ativos quanto um desafio em termos de soberania econômica e influência sobre decisões corporativas. A jurisprudência e as regras europeias sobre investimentos estrangeiros diretos, assim como os mecanismos de review nacional, são parte do quadro que acompanha essa dinâmica.
Para o investidor comum e para as famílias italianas, a relação é dupla: por um lado, a oferta de produtos e serviços de gestão pode ampliar opções de investimento; por outro, a concentração em determinadas classes de ativos coloca em pauta questões de governança e transparência.
Enquanto a BlackRock mantém sua estratégia de crescer na Europa e aprofundar atividades na Itália, o debate público sobre o papel de grandes gestoras globais na economia nacional tende a se intensificar — envolvendo autoridades, mercado e a sociedade civil.































